Sunday, May 27, 2018
Sunday, May 13, 2018
Imperativos da Memória (IV)
O rosto pela palavra!…
«Nós, as
mulheres, o que nos faz amar um homem é aparentá-lo com tudo o que amamos – o
tempo da crise, da puberdade, da gestação, do enigma; os primeiros rostos, as
primeiras carícias, os primeiros medos.»
Agustina Bessa-Luís
Aprendemos
através das nossas “obrigações” e incursões filosóficas que o rosto
não é um simples fenómeno, enquanto aquilo que se mostra, que se manifesta à
consciência quer seja directamente ou por intermédio dos sentidos, tendo em
conta que ele é igualmente o significado de alteridade daquilo que nos escapa
absolutamente.
Para Louis Aragon (1897-1982), poeta e escritor francês, por
exemplo, “a literatura é um assunto sério para um país, pois é afinal de contas
o seu rosto…”, significado de presença, e expressão da vida de uma
outra interioridade, de um outro “eu” – o alter
ego de uma liberdade. Aqui estaremos a falar do rosto assente na
fenomenologia, ou seja, à boa maneira kantiana, aquilo que, para ele,
correspondia à sensação, chamava-lhe matéria desse fenómeno; mas aquilo que fazia
que o diverso que ele tinha em si fosse ordenado segundo certas relações,
chamava-lhe forma do fenómeno. O rosto em david f. rodrigues expresso pela transcendência (e abertura) que
recusa a identificação e a posse: se um
dia der / a minha vida um livro / uma só página há de ter / o rosto. É na
poesia que, numa aparente humildade, busca “só parcos e refinados sabores”,
preparando os alimentos que maior prazer à língua lhe dão.
Tanta retórica da nossa parte, dirão os nossos leitores,
para que de uma forma coerente e desinibida possamos reafirmar o nosso princípio
“deontológico” de não cairmos na tentação de explicarmos a poesia, quando ela apenas
se deve pautar pelo nosso sentir pessoal, enquanto postulado da razão prática.
A leitura de cada um de nós é um acto de liberdade, como livre é o autor na
descoberta, bem escorada nos seus recursos filológicos (recorrentes da morfologia,
sintaxe e doutoramento em Linguística/Teoria do Texto), do rosto depurado pela
poesia quando esta “…não é / o meu forte / a poesia é / o meu fraco / a poesia
é / a força da minha fraqueza”, sem se refugiar nas sombras dos alicerces
trazidos pela experiência e estudo adquiridos e transmitidos a centenas e
centenas de discípulos, porque, para ele, “…todas as palavras à sombra / me
perseguem em disputa acesa / por um lugar ao sol num poema / ou tão só num
simples verso…”. A poesia em david f.
rodrigues, mesmo quando expressa pelo efeito imponderável, traz sempre consigo “o perfume de cada
palavra / oculto que dia-a-dia persigo”, com a consciência plena de que “por
natureza o poeta / não é um fala-barato”. Para que serve hoje a poesia? –
pergunta que coloca para o nosso lado: sempre
que me calo / poesia é contigo / ou será tão só comigo / que mais alto falo.
De pouco valem as nossas palavras à excelsa criação poética
de david f. rodrigues, tendo em conta
que a possível ou merecida exaltação fica ao dispor dos detentores de
pergaminhos e canhenhos de intelectualidade. A nossa apreciação vale apenas
pela liberdade do exercício assente na “douta ignorância”, muito própria, de
quem sabe naturalmente que à medida que vamos adquirindo conhecimento, acabamos
por reconhecer a vastidão da nossa ignorância.
Nota máxima.
[Imperativos da Memória (IV) - O rosto pela palavra!... A Aurora do Lima, Ano 163, Número 16, Quinta-Feira, 10 de Maio de 2018, p. 16]
Thursday, April 12, 2018
Imperativos da Memória (III)
As margens da palavra!…
«As escritas
quotidianas são, actualmente, fontes primárias de especial relevo para
investigações transdisciplinares (História, Linguística, Antropologia,
Sociologia, Psicologia, entre outras). Dos acervos pessoais e familiares
gerados nos últimos séculos os investigadores têm à sua disposição uma parte do
que foi, na verdade, produzido pelos agentes da História»
Maria Olinda Rodrigues
Santana
Henrique Rodrigues
A PALAVRA
sempre foi para nós um escudo, acção de defesa e, tal como um dia lemos no
«Tratado da Ciência Cabala ou Notícia da Arte Cabalística», especulação natural
da virtude das letras, mesmo contra aqueles que a utilizam como “arma de
arremesso”, envolta na intriga, dissimulação e alcoviteirice em proveito
próprio. Aí constamos que da eficácia e virtude das letras (caracteres que
formam a palavra) resultam, muitas vezes, “vários e notáveis efeitos
naturalmente; porque, como vemos e lemos, por elas se denota já honra, já
vitupério, escravidão, liberdade, e causas semelhantes, e daqui procede a
observação de algumas nações políticas”, que punham na face o S ao escravo, e
nas costas o L ao ladrão… Honestidade pela PALAVRA deixou de ter o cunho de uma
formalidade a cumprir, nomeadamente quando os que nos antecederam, acabaram por
nos educar no culto do respeito de uns pelos outros, através da palavra dada
sem ser, obrigatoriamente, exarada a tinta ferrosa. Daí, um dia, Manuel Rivas
(Barrós), escritor, poeta, ensaísta e jornalista galego, ter afirmado que “a
exaltação tem mais palavras que a calma”.
Hoje e agora, AS
MARGENS DA PALAVRA, o mote que Maria Olinda Rodrigues Santana e Henrique
Rodrigues, no papel de coordenadores, encontraram para produzir uma
extraordinária obra, aguarelada por palavras expressas em cartas, vozes e
silêncios femininos, numa edição da Associação Portuguesa da História do Vinho
e da Vinha (APHVIN/GEHVID), ser motivo para nós de exaltação intelectual e
científica dos coordenadores (simultaneamente autores do prefácio) e dos que os
acompanharam neste desvelar (revisitado) de escritas gravadas por gentes
anónimas de várias classes sociais, escritas essas que “têm chamado a atenção
dos historiadores, dos linguistas, dos etnógrafos, dos antropólogos e doutros
investigadores”, uma vez que estas fontes primárias permitem aos mesmos lançar
olhares sobre espólios documentais muitas vezes condenados ao desaparecimento.
Trata-se de um
caso único e especial, resultante de um óptimo trabalho, complementado pelos
tratados científicos dos seus autores, especialistas de várias áreas, a quem
prestamos aqui o nosso reconhecimento e gratidão: Ana Sílvia Albuquerque – Da vida e obra da mãe: reconstrução de um
itinerário existencial e educativo; António Barros Cardoso e Sílvia Trilho
– A angústia da distância encurtada pela
escrita; Chris Gerry e Filomena Morais – De Florbela a Judith, de Judith a Florbela: uma correspondência
imaginada, 1924-1925; Ernesto Português – Escritas silenciosas no Colégio de Regeneração nos finais do séc. XIX;
Henrique Rodrigues – Silêncios e tempos
de escrita da emigração de oitocentos e Escritas
e silêncios de “Madrinhas de Guerra”: abordagem à correspondência feminina para
um militar da Guerra Colonial; José Ignacio Monteagudo Robledo – Poder silencioso e submissão feminina em uma
correspondência hispana-argentina; Maria Beatriz Rocha-Trindade e Amílcar
Baião Pinto – Apontamentos: uma Viagem a
África - 1897-1898; Maria Izilda Matos – Saudades: Epistolário de e/imigrantes portugueses escritos e
sensibilidades (Portugal-Brasil 1890/1930); Maria Olinda Rodrigues Santana
e Assis Gaspar Machado Monteiro – Nas
encruzilhadas da vida: memórias contadas, silêncios guardados…; Maria
Olinda Rodrigues Santana – Escritas e
representações de sabores no feminismo; Mila Simões de Abreu – O misterioso alfabeto do Alvão e a origem da
escrita em Trás-os-Montes: como uma ideia falsa se espalha através das redes
sociais; Pedro Javier Cruz Sánchez – Creencias
sobre la pared, epistemologia y problemática del emblema de la cruz en el
âmbito urbano tradicional; Salvador Magalhães Mota – As Cartas Pastorais como instrumento de comunicação e propaganda
privilegiada de conservadores e de reformistas na Congregação dos Bernardos na
segunda metade do século XVIII. Alguns contributos.
Aqui fica um excelente trabalho que, por certo, nos motivará à reflexão,
debate e divulgação da História social e cultural do tempo da comunicação à
distância através do escrito. NOTA MÁXIMA!... (com
apenas um senão: os 200 exemplares publicados).
[Imperativos da Memória (III) - As margens da palavra!... A Aurora do Lima (Viana do Castelo), Ano 163, Número 13, Quinta-Feira, 12 de Abril de 2018]
Monday, April 09, 2018
Wednesday, March 28, 2018
Imperativos da Memória (II)
Recorrendo ao silêncio!…
«Há duas
coisas que é absolutamente necessário compreender: a natureza do espaço e a
natureza do silêncio. Interessa sumamente descobrir o que significa
"espaço". Não queremos referir-nos à distância entre a Terra e a Lua,
porém ao espaço psicológico, o espaço interior. A
mente em que não há espaço é uma mente estreita, insignificante, vulgar; está
presa numa armadilha, e os movimentos que faz dentro dessa armadilha chama
"viver". Mas, para se descobrir o que é esse espaço interior, é
necessário observar o espaço exterior»
Krishnamurti
Há momentos em
que necessitamos de recorrer ao silêncio, refugiando-nos na leitura e releitura
das grandes referências que nos têm acompanhado ao longo da vida e são companhia
permanente das nossas estantes, onde as obras nunca são adquiridas às suas
medidas. É no silêncio, quase clandestino, que por vezes preenchemos tardes a
“discutir” antagonismos, interactividades, destruição de mistificações,
ausência de mensagens inequívocas, principais instrumentos de informação,
falsos passadismos, consequências de mudança, servir ou obedecer ao jogo,
sempre com a noção de que antes de qualquer acção existe a lealdade à nossa
convicção.
É no silêncio,
porque a esse exercício somos muitas vezes obrigados, que amamos a terra que
nos pariu. Contudo, sentimos um enorme vazio e tentamos descortinar as
concepções da razão, constituinte e constituída. Isto quando procuramos a
capacidade de ascender ao mundo das ideias, quer como essências, quer como
valores. Passamos a abominar o cliché de «O homem é um animal racional», porque
admitido como a diferença específica.
Daí
gravitarmos mais na “formulação madura” da “razão suficiente” leibniziana,
tendo em conta que a mesma enuncia que nada é sem
que haja uma razão para que seja ou sem que haja uma razão que explique que
seja. Sentimos um vazio, mas, mesmo assim, amamos a nossa Terra Natal. Pena é
que, circunstancialmente, a “orgânica” esteja à mercê dos “usurpadores”,
crentes na “sabedoria superior”, dilacerante da natureza da substância, neste
caso concreto, o modo do conhecimento da substância e essência da razão.
Foi para quebrar um pouco do silêncio (quiçá, a “monotonia
do silêncio”) que resolvemos anuir ao convite do Raul Pereira, para assistirmos
ao lançamento do seu livro «Dentro de um Cesto de Rosas (Vila Franca:
Celebração e Notas)», uma sentida experiência científica, por se dar conta de
iniciativas similares da Direcção Geral do Património Cultural, de salvaguarda
do património imaterial português, pensando de imediato na terra onde cresceu e
no seu mais alto valor cultural: a Festa das Rosas.
Há dias em que, impreterivelmente, necessitamos do
silêncio, e dele nos afastarmos, como espaço dentro de nós, criado pelo
observador, pelo censor: o espaço em que ele vive. Mas, de vez em quando, faz
falta um banho de multidões. E o Raul Pereira teve-o, merecidamente: «Quanto a mim, Raul Alexandre da Rocha
Pereira, fiz o que achei que me competia: retribuí, com aquilo que pude e sei,
o que agora me parece um mero alfinete no cesto de rosas que constitui tudo o
quanto de Vila Franca recebi enquanto cresci.»
Silêncio, humildade e acção… VERBUM PRO VERBO!
[Imperativos da Memória (II) - Recorrendo ao silêncio!... A Aurora do Lima (Viana do Castelo), Ano 163, Número 11, 29 de Março de 2018.]
Sunday, March 11, 2018
Imperativos da Memória (I)
Escravos da palavra!…
«Vivemos num tempo em que borboletas voam em bibliotecas; os livros ficam às moscas nos casulos das instituições. Quando o livro perde o seu carácter mágico e passa a ser apenas um aglomerado de folhas e palavras, o mundo perde a dimensão do possível e se afoga na impossibilidade do real...»
André Anacoreta
130.º
Aniversário (1888-2018) da fundação da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo
(16 de Fevereiro) e do nascimento do antropólogo, médico, professor catedrático
e autarca António Augusto Esteves Mendes Correia (4 de Abril), acabou por
impelir-nos à evocação memorialista, como forma de não desculparmos o insucesso
de uma sociedade materialista e a indiferença ao aprumo e autodestruição da
nossa identidade cultural. Infelizmente, o sentimento (construtivo) de beleza e
inovação das gerações da “Belle Époque” deu lugar à desumanização do ser
humano.
Momentos inesquecíveis (que
pensamos não serem os últimos), prazerosamente vividos no segundo dia da 19.ª
edição (encontro) de «Correntes d'Escritas 2018», lugar, espaço físico e
mística, onde acabamos por ficar escravos da palavra. "Acorrentados"
aos motes "Escrever é um acaso de circunstância" e "Escrevo para
dizer aquilo que não sei", gravitamos pelo contraditório entre o escrever
pela circunstância (propriamente dita) e a circunstância do acaso,
condimentadas pelo lado emotivo e pela reflexão, conjunto de factores que podem
influenciar quem hoje escreve: o contexto da descontinuidade em que vivemos e a
fragmentação de diferentes níveis que daí resulta; escrever remetendo-nos para
a ideia de "Memória", biológica até, onde a criatividade está na base
de qualquer escrita; aprendendo uma fonética que não era de nossa mãe (que
nasceu, cresceu, sofreu e morreu sem saber uma única palavra), cujo
conhecimento era por via oral, atendendo ao facto que qualquer coisa que um
autor escreva é fruto de uma biografia de milhares e milhares de anos; o
"mar das tormentas" como ponte para nos deixarmos levar, seguindo até
aquilo que está do lado de lá; o saber o que escrevemos, sem termos a
verdadeira percepção se, de facto, o chegamos a saber; o lado desarrumado,
esquecido, leitor de outras escritas, usando da palavra para compor silêncios,
mesmo na biblioteca desarrumada que ficará arrumada depois do homem/escritor
morto. Emprestaram-nos as palavras (complexo lexical em que devíamos, de
contínuo, ter usado aspas): Alberto S. Santos, Hugo Mezena, Isabel Rio Novo,
Carlos Quiroga (moderador), Abraão Vicente, Miguel Real, João Paulo Cotrim,
Bento Balói, Filipa Martins, Celso Muianga (moderador), Ana Margarida de
Carvalho e Kalaf Epacanga.
Tudo isto na semana de
CORRENTES D'ESCRITAS, lá, e CONTORNOS DA PALAVRA, cá. Lá e cá o mesmo
sentimento: A palavra
dita, escrita, desenhada, sonhada, assume contornos novos, veste novas
roupagens e despe-se de sentidos cristalizados.
Centro e trinta anos depois, há dias, momentos e memórias
assim!
[Imperativos da Memória (I) – Escravos da palavra!... A Aurora do Lima (Viana do Castelo), Ano 163, Número 08, 01 de Março de 2018.]
Saturday, February 03, 2018
VASCO SILVA E BRACARA AUGUSTA
Tudo começou por uma
experiência, onde havia necessidade de lhe incutirmos a expressão imaginativa
da emoção, aquela que Collingwood, sem dissimulações, ao falar de arte,
afirmaria de forma bem específica – “não uma irrupção ou manifestação
involuntária da emoção, nem um despertar deliberado da emoção, mas antes a
clarificação de um sentimento inicialmente vago que através da sua expressão se
torna claro.” Da experiência, emocionalmente marcada pelas deambulações na
infância (com apenas quatro translações), acompanhando-nos por montes e
encruzilhadas pedregosas do chão e paredes do nosso Alto Minho, vibrando com os
negativos e as revelações dos nossos inocentes e/ou modestos
“objectivo-disparos”, cresceu como observador desfrutando apropriadamente da
sua experiência táctil, sensivelmente directa, ganhando consciência do processo
de criação artística, isolando a natureza dessa emoção particular para a pessoa
que dela tem experiência e que a expressa: “Uma pessoa que expressa algo ganha
assim consciência do que está a expressar, e permite aos outros ganharem
consciência da emoção que há em si e neles.” (Collingwood)
Hoje, o nosso filho
Vasco da Cunha e Silva, deambula, vive e gravita por terras bracarenses,
permitindo-se à conjugação artística entre a natureza e a humanidade. Para ele
essa complementaridade é a única forma de clarificar e individualizar as suas
próprias emoções. Quanto a nós, sentimo-nos extremamente orgulhosos. NOBLESSE
OBLIGE!
Wednesday, September 06, 2017
MOVIMENTO DE ARTES E OFÍCIOS EM VIANA DO CASTELO
Ao falarmos do Movimento de Artes e Ofícios (MAOS),
teremos que forçosamente recuar ao tempo em que uma jovem, de seu nome completo
Catarina de Sampaio e Silva, licenciada em Design
do Produto pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto
Politécnico de Viana do Castelo, desde que se lembra, sempre teve paixão pelas
artes do saber fazer. A sua inclinação para o artesanato do contexto têxtil
surge-lhe da proximidade de familiares que tinham conhecimentos na área: Avó
materna, através do bordado regional de Viana do Castelo e a avó paterna,
exímia artífice no tear, sempre que a agricultura proporcionava umas pausas.
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| A bordar um "Cachené" -- Catarina Silva. |
O desenvolvimento de
produtos e marca própria, começou por algumas parcerias e desenvolvimento da
“Marca Mimalho” com uma amiga, Filipa Pereira, nos tempos do ensino superior.
Por paixão ao regional decide abdicar desta marca e acabou por criar a Viaarte, tendo sido, em 2009, a primeira
marca a estar presente na Feira de Artesanato da Romaria de Nossa Senhora da
Agonia, com produtos exclusivamente feitos com o tecido dos ditos lenços de
Viana. Segundo a Catarina, pela abundância de produtos com estas
características e por querer dar um passo maior, num produto realmente identitário
da nossa região, não pelo que as pessoas identificam à primeira vista, mas pela
História e Memória que poderá transportar, criou a Cachené’s, marca que ainda hoje está activa.
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| CATARINA SILVA |
O surgimento da MAOS,
vem no seguimento de participação em eventos relacionados com o artesanato,
nomeadamente Feiras, por ter trabalho em contexto profissional e amador em
organização de eventos no âmbito do artesanato e do tradicional, a quando um
período da vida em que a necessidade de uma fonte de rendimento extra era
essencial, criou, em Abril de 2013, a FAM (Feira
de Artesanato Mensal). Felizmente que esse invento começou a ganhar corpo,
participantes fixos, tal como visitantes fixos, decorrendo ainda hoje, com as mesmas
iniciais, mas com a denominação de Feira
de Artesanato e Manualidades.
| FAM -- Feira de Artesanato e Manualidades, Porta Mexia Galvão. |
Esta experiência serviu
para perceber a necessidade de existir um órgão associativo que representasse
de alguma forma os artesãos e curiosos dos nossos concelhos e, quiçá, de outros
que se quisessem juntar.
Em Setembro de 2013,
Catarina Silva decidiu, juntamente com seu companheiro, Raul Cruz, e arrastando
alguns amigos, nomeadamente Cristina Faria, Juliana Lourenço e Joel Maltez,
criar a MAOS – Movimento de Artes e Ofícios, Associação Promotora. Iniciaram
actividade em Janeiro de 2014, não tendo parado de lá para cá.
| FAM -- Feira de Artesanato e Manualidades, Porta Mexia Galvão. |
Actualmente a
Associação é composta aproximadamente por 60 sócios, sendo a maioria do
concelho de Viana do Castelo. Há a realçar o facto curioso de que, desde o
início, alguns foram os autores de outros concelhos a se juntarem a este
projecto associativo, que já tem no seu palmarés uma participação na Feira
Internacional de Artesanato (FIA), 2014, 2015, 2016 e com previsão para 2017
(FIL); e na Natalis – Feira de Natal de Lisboa, 2014 e 2015 (FIL).
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| FAM -- Feira de Artesanato e Manualidades, Santa Luzia. |
Muitos têm sido os
eventos organizados pela MAOS, dos quais destacamos: Mercado à Mão Natal – uma semana de Mercado na Praça da República,
2014, 2015, 2016, estando previsto continuar em 2017; Mercado à Mão Fumeiro e Doce – Sexta, sábado e domingo antes da
Páscoa, integrado na Páscoa Doce, na Praça da Liberdade, 2015, 2016 e 2017; FAM
– Feira de Artesanato e Manualidades
– que decorre todos os meses ao segundo fim-de-semana. Contudo, poderá decorrer
noutros períodos, como por exemplo em Festas e Romarias, ou em parceria com
outras organizações.
| Mercado à Mão Fumeiro e Doce. |
Apostado na máxima de
Albert Einstein – Além das aptidões e das
qualidades herdadas, é a tradição que faz de nós aquilo que somos – o
Movimento de Artes e Ofícios (MAOS), tem trabalho em parceria com a Feira de Artesanato e Manualidades da
Romania da Sra. d’Agonia, 2014, 2015, 2016 e 2017.
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| FIA -- Feira Internacional de Artesanato e Manualidades. |
Ainda segundo Catarina
Silva, quando ela e o seu grupo procuravam o nome para a Associação, fizeram-no com o sentido de algo
que transmitisse uma relação directa com o objectivo de todos, mas ao mesmo
tempo que não fosse mais uma “Associação”. Para Catarina, Artes e Ofícios é o que
representam e procuram, Mãos as suas ferramentas e dos
autores, inspiração imediata, pensamento activo, que os levaria a fazer um
“trocadilho”, movimento das mãos em artes e ofícios. E diz-nos Catarina com
alguma graciosidade: Somos MAOS, não
querendo ser maus, nem sendo mãos, mas sem dúvida que ficamos no ouvido e na
memória de quem connosco se cruza.
| FAM -- Feira de Artesanato e Manualidades, Especial Páscoa. |
No que toca ao futuro,
mas sem esquecer o presente, actualmente estão em fase de tentar que lhes seja
disponibilizado um espaço para sede da Associação, sendo seu objectivo a
recuperação do edifício da antiga escola primária de Mazarefes, transformando
esta em sede e “escola” de Artes e Ofícios. Para 29, 30 Setembro e 1 de
Outubro, vai decorrer no Centro Cultural de Viana do Castelo o primeiro Mercado
à Mão Artes e Ofícios, um evento onde pretendem que as artes e ofícios do nosso
concelho sejam apresentados e relembrados, pois temos muita riqueza que
desconhecemos e não devemos nem podemos deixar desaparecer. Este mercado será
expositivo e formativo, pois haverá um seminário/conferência com painéis
bastante interessantes, do mundo das artes e ofícios, apoios, programas
dedicados a este contexto.
Preservar as Artes
e Ofícios é cuidar da nossa identidade.
(SILVA, Porfírio Pereira da - In, «A Falar de Viana», Volume IV, Série 2, p.193-195)
Tuesday, August 29, 2017
DEAMBULANDO POR AÍ... (1)
| Branda de Bosgalinhas (PNPG) Gavieira, Arcos de Valdevez. |
Deambulando
por aí, inspirando-nos nas memórias ancestrais, continuando a ampliar a voz e
soletrando palavras pelas serranias do Alto Minho que tanto amamos, sentindo «o
poder dessa ancestralidade da Serra com as suas fragas e os seus córregos
sinuosos, qual água cristalina mataria a sede dos deuses. É penosa e
assustadora a caminhada por serpenteada e vertiginosa ladeira...» (In, SILVA,
Porfírio Pereira da – Ermida. Lisboa:
Garrido Editores, 2003, p. 114). Apesar de assustadora, a caminhada encerra-se
numa paradisíaca beleza (interior), própria do panteão dos deuses...
Há
pequenos momentos assim!
Tuesday, June 20, 2017
«Poesia e outras coisas» em Mário Filipe Neves!...
«Mário Neves, leva-nos através de pensamentos
em prosa, de palavras poéticas lindamente ordenadas, ao sonho, ao amor... à
beleza de estar vivo e sentir a conjugação de todos os elementos que nos
espreitam»
Silvestre
Fonseca
Há cerca de dois meses
que não dávamos sinal de vida activa, no que toca à premeditada, porque
necessária, inspiração de “ao correr da pena e da mente” falarmos daquilo que
desperta o nosso interesse, sem nos vincularmos aos interesses dos outros, o
que desde já nos penitenciamos por essa falta de respeito para com os nossos
leitores que nos respeitam e consideram, acendendo, à boa maneira chinesa, uma
vela, em vez de amaldiçoarem a escuridão.
Embora sejamos
apologistas de que a biografia de alguém (artista, autor, poeta) está ou se
reflecte na sua obra, não queríamos deixar de referir apenas umas pequenas notas,
sem adularmos o escritor/poeta antes de conhecermos a sua obra. O factor
identitário impõe-se pela circunstância de neste caso Mário Filipe Neves se nos
apresentar como santo fora da casa, do qual esperamos um “milagre”, sem
práticas rituais ou “purificações pelo delírio”. Daí, atrevermo-nos perante a
sua presença física, dizermos que Mário Filipe Santos Neves, filho mais velho
dos três que sua mãe deu à luz, nasceu em Lisboa, a 29 de Dezembro de 1958; frequentou
o curso de Engenharia Civil, até ao 3.º Ano, no Instituto Superior Técnico de
Lisboa; no início de 1980 emigrou para Toronto, Canadá, onde viveu uma
experiência no mundo do trabalho e da emigração; regressou a Portugal, no final
do mesmo ano, saudoso de seus amigos e familiares, tendo iniciado um percurso
pelo mundo da música e das canções, como cantautor, durante cerca de quatro
anos; começou a trabalhar na empresa CTT – Correios de Portugal, SA, em 1981,
onde permanece até hoje, já com 36 anos de serviço. Actualmente, e nos últimos
22 anos, desempenha as funções de Auditor interno na mesma empresa.
Nos tempos livres
dedica-se à escrita (poesia, prosa, pensamentos e outras coisas que vão
surgindo no tempo e na memória) e à divulgação da mesma. Co-autor, desde 2015,
em diversas colectâneas de prosa e poesia, vê agora, com a publicação deste
livro «Poesia e outras coisas», a sua primeira obra
pessoal editada.
Posto isto, e ainda que
voltemos a entrar no contraditório, tendo em conta que entendemos que poesia
não deve ser explicada mas sentida, permitimo-nos a ultrapassar essa
condicionante deontológica, para justificar a nossa “obrigação e desobediência
ética” de estarmos, aqui e hoje, a apresentarmos a «Poesia e outras coisas» em
Mário Filipe Neves.
Foi fácil para nós
aceitarmos o desafio de apresentarmos o seu livro, naquele dia 18 de Março de
2012, porque nos identificamos com o seu discorrer do pensamento, aprofundado
na descrição e “manuseamento” do fenómeno do conhecimento. Ao contrário de
alguns poetas, Mário Neves não se deixa enredar pela tentação do jogo das
“palavras soltas”, porque se fixa no conhecimento, enquanto relação do sujeito
e do objecto, neste caso concreto, o poeta e a palavra dita e escrita.
Sem querermos recalcar
os velhos clichés de que “não é poeta quem quer” ou “o poeta nasce e depois
faz-se”, permitimo-nos, ainda que a nossa opinião seja sempre subjectiva, em
afirmar que estamos perante um verdadeiro poeta. Em Mário Neves, as palavras
soltas assentam na promessa de as mesmas o animarem através dos desenhos que os
lábios o fazem escutar.
Mário Neves, enquanto
SER pensante, reformula-se e encontra-se com a ajuda da ideia da «consciência
em geral», pondo em prática as ideias inatas através da consciência concreta e
individual. Daí não estranharmos o facto de ele ter receio de não ter medo
daquilo que não percebe. A sua missão não é resolver o problema do conhecimento
mas sim conduzir-nos à presença do problema.
Mário Neves tem
consciência de que só é possível vivermos mantendo uma relação com o outro lado
de nós: os outros, e como diria Goethe, a luta consigo próprio, o insaciável
desejo de mais pureza, sabedoria, bondade e amor. O tempo e a história, os
passos e as emoções, tocam profundamente o poeta. Há uma necessidade de aconchego,
de saudade, de depuração.
A nossa empatia imediata
pela poética e pensamento de Mário Neves, advém da natureza do EU, na sua
essência e plano psicológico, análogo à que existe entre os acidentes e a
substância, e à boa maneira kantiana, pela medida em que se nos colocam os
problemas derivados da passagem da razão teórica à razão prática. O plano
metafísico também tem lugar no EU de Mário Neves, porque é capaz de conter a
consciência empírica como forma particular dele mesmo.
Concordamos com as
palavras tomadas por Silvestre Fonseca (músico e escritor, circunstancial
prefaciador deste brado poético) a Mário Neves – …Quem sabe um dia, emerges, te levantas e te ergues caminhando pelas
margens nesta direcção de mim?... – para
depreender que estas palavras que nos prendem, integram o “Destino submerso” e
mostram o perfil do autor, desafiante, sensível, amante das ideias e dos ideais
e sobretudo… igual a si mesmo, como sempre foi… um bom amigo de refinado
sentido de humor e… um grande Homem! – citamos. Mário Neves prende-nos por
aquilo que temos de comum: a esperança de renascer, forma activa de aprender
com os outros, imaginar o vácuo e, sobretudo, a cosmovisão, enquanto concepção
do mundo que nos é dada de uma vez na sua totalidade, inalterável ao grito do
poeta.
Antes de terminarmos,
não queríamos deixar de referir que os hipotéticos leitores deste maravilhoso
brado poético de Mário Neves encontrarão espaços e tempos de liberdade,
vontades de descobrir a verdade, sonhos (sendo que alguns tropeçam no vazio e
se afundam), destinos, silêncios e omissões, castelos de areia, aguarelas e
janelas que se abrem vendo o tempo passar, promessas e palavras renovadas,
beijos e afectos, melodias poéticas onde se sentem braços em contratempo, princesas
a quem se dá boa noite
Para terminarmos,
gravitando pelo universo, a natureza e concepções cosmológicas de Nicolau de
Cusa, encontramos em Mário Neves o princípio da relacionalidade plena do
universo (com a qual comungamos), unificando, nessa relacionalidade, a
pluralidade de tudo o que existe, quer no que se refere à reciprocidade que se
estabelece entre as coisas existentes, quer no que se refere à relação entre o
conjunto dos entes finitos e o seu princípio fundante, terminando na noção
clara da “douta ignorância”, como saber do não saber.
É isto que nos apraz
dizer sobre o livro e o autor!
NOTA MÁXIMA!
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