Saturday, October 26, 2013

António Matos Reis publica “Foral manuelino de Valença”!

“Com a publicação do «Foral Manuelino de Valença», dá-se mais um contributo valioso à interpretação, ao conhecimento e à valorização da nossa evolução e identidade como terra e como povo”

Jorge Salgueiro Mendes
(Presidente do Município de Valença)


Quando se assiste à publicação de obras de natureza histórica, normalmente há da nossa parte uma redobrada cautela no que toca ao conteúdo e ao autor. No entanto, há determinados autores que dispensam qualquer retraimento, desconfiança ou prudência da nossa parte, porque nos vão habituando à precisão e ao rigor científico, determinados na argumentação documental, na seriedade interpretativa dos mesmos documentos – porque bem formados na área em que gravitam – e na antítese ao plágio descarado, muito em voga cá pelo nosso burgo. E um dos historiadores que figura no escantilhão das nossas exigências histórico-científicas, é precisamente o nosso particular amigo António Matos Reis, Doutor no ramo do conhecimento em História, pela Universidade do Porto, com tese intitulada “Os Concelhos na Primeira Dinastia à luz dos forais e de outros documentos da Chancelaria Régia”, o qual tem exercido várias funções, entre as quais as de Docente de História, no ensino oficial, as de Conservador e Director do Museu Municipal de Viana do Castelo e as de Director do Departamento de Desenvolvimento Económico, Social e Cultural, na Câmara Municipal de Viana do Castelo. Publicou até hoje cerca de duas centenas de trabalhos, incluindo vários livros, entre os quais se contam os seguintes, dedicados ao estudo dos forais e da história dos municípios: Origens dos Municípios Portugueses (com duas edições, 1991 e 2002), O Foral de Valença (1996) e História dos Municípios 1055-1385 (2007). Este último foi galardoado com o Prémio Nacional de História Medieval “Almeida Fernandes” no ano de 2008. No corrente ano, enquadrado nas comemorações dos quinhentos anos da atribuição do Foral, por Dom Manuel I, a Valença (1512), António Matos Reis acaba por nos contemplar com o Foral manuelino de Valença, numa bem conseguida edição – revestida de uma riqueza estética e de conteúdo – do Município de Valença, obra de que acusamos a sua gentil oferta.


Quase que poderíamos ficar por aqui se não nos deslumbrássemos com a explanação meticulosa, em termos históricos, dos forais antigos aos forais novos, tendo em conta que “na sua maior parte, os municípios portugueses foram criados, na Idade Média, através da outorga de um documento, de início, como todos os outros documentos da época, referido simplesmente como uma carta mas, a partir das últimas décadas do século XIII, designado como foral”; do processo de elaboração dos forais manuelinos; de Valença entre as origens e o foral manuelino, perpassando pelo caminho do desenvolvimento – as feiras, “concretamente, em Valença, cuja localização geográfica era adequada ao encontro de mercadores e de populações provenientes de amplas áreas dos dois lados da fronteira”; de Valença no centro da história; das restrições da “liberdade”, atendendo ao facto de que “para que a vida municipal se pudesse desenrolar pacificamente, foi necessário pôr cobro às ingerências de poderes exteriores aos municípios”; e, finalmente, do território do concelho que, de um modo geral, “pode afirmar-se que os municípios da margem portuguesa do rio Minho, comparados com outros, integravam territórios de dimensões relativamente moderadas, e Valença não constituía excepção sob esse aspecto. O termo que viria a estar sob a alçada municipal nos mais antigos concelhos, como sucedeu com Ponte de Lima, com Melgaço e com Valença, limitava-se inicialmente a pouco mais do que o espaço correspondente ao que viria a considerar-se a sede do município (…)” – citamos António Matos Reis.
Num terceiro capítulo, este creditado medievalista acaba por fazer a descrição do foral manuelino de Valença, abordando as suas características materiais, a estrutura do códice, o seu conteúdo, terminando com a sua transcrição, adoptando as normas mais generalizadas em Portugal, que resultam da adaptação à nossa língua das normas estabelecidas pela Commission Internationale de Paléographie (Avelino Jesus da Costa, Normas Gerais de Transcrição e Publicação de Documentos e Textos Medievais e Modernos, 3.ª ed., Coimbra, Instituto de Paleografia e Diplomática, 1993); apontamento bibliográfico, onde são citadas cerca de três dezenas de obras consultadas; glossário, limitado a alguns vocábulos que têm um significado especial ou cujo entendimento pode ter alguma dificuldade para certos leitores, por serem de uso pouco frequente; e um bem estruturado índice remissivo.
Terminaremos com a sugestão do autor, a qual subscrevemos inteiramente: “Que o público em geral e em especial os jovens estudantes aceitem o desafio de ler este texto, procurando entender o foral manuelino e o seu interesse para a história de Valença”.
      Os nossos parabéns ao Autor e ao Município de Valença. Nota máxima para a obra, ora trazida ao conhecimento público! 

Sunday, October 20, 2013

“Do cavalo e da jovem rapariga” e o selvagem da desonra!

“De entre os Códridas já não se elegiam reis, por se considerar que se tinham tornado efeminados e brandos. Hipómenes, um dos Códridas, quis afastar esta acusação. Tendo surpreendido um amante com a sua filha Leimônê, matou-o amarrando-o ao carro com sua filha, e a esta encerrou-a com um cavalo até que morreu”

Aristóteles
(Fragmento da Constituição dos Atenienses)


Ao tempo das nossas incursões académicas, foi-nos proposto um exercício, onde nos confrontamos com dois pequenos excertos dos textos de Ésquines (Contra Timarco) e de Aristóteles (Fragmento da Constituição dos Atenienses), e por acharmos que, tal como afirmaria Richard E. Palmer, em hermenêutica o processo de interpretação “vai de um conteúdo e de um significado manifestos para um significado latente ou escondido”, aventamos a hipótese de o objecto de interpretação, neste caso concreto os dois pequenos textos, poder ser constituído por símbolos mitológicos, sociais ou literários.
Inicialmente, espelhando uma certa desarticulação de raciocínio, só porque fomos iludidos pelo cenário, desprezamos o conteúdo ou o tema nevrálgico de tais “construções literárias”. Na altura, tomaríamos a interpretação certa, envoltos na máxima grega «Antes a Morte que a Desonra», sendo que o castigo corporal era encarado, na antiga Grécia, como modelar. Os condimentos que nos poderiam conduzir a tal interpretação estavam lá, mesmo quando o fizemos – ou procuramos fazer – à luz da história, sem esquecermos o tempo e o espaço. Mas, sem querer, apenas estávamos a dissimular uma construção interpretativa de “pescadinha de rabo na boca”. Apesar de termos tomado em linha de conta o sentido figurado ou metafórico, levados pelos conceitos do exemplo moral, numa Grécia da sabedoria, da beleza e da justiça, dado que as mulheres estavam sujeitas a restrições – eram bastante dominadas pelos maridos, pais ou irmãos e raramente participavam na política ou em qualquer outra forma da vida social –, só posteriormente nos apercebemos do nosso erro de raciocínio.


Enquanto nos enredávamos na teia “Do cavalo e da jovem rapariga”, sentíamos – ou ficaríamos com a sensação de – que, como uma centelha, a verdadeira “jurisprudência” do zeloso e guardião pai, da virgindade da jovem rapariga, ocultava algo bem mais grave do que a simples disciplina exemplar do castigo corporal, pela agravada desonra perpetrada por sua casta filha. Os termos, quer num quer noutro texto, levar-nos-iam a pensar, ainda que erradamente, na exemplaridade moral, tendo em conta que na Grécia Antiga a violência fazia parte da sua cultura e, quiçá, do seu subconsciente. A acidentalidade do espaço geográfico; a luta pela hegemonia; as querelas locais – de que é exemplo o duelo entre Ésquines e Demóstenes –; a expressão e sobrevivência dos próprios deuses, ainda que simbolizados pelas forças da Natureza, ostentavam também os sentimentos bons ou maus dos seres humanos – para os Gregos, todos os homens se transformavam em deuses logo após a morte –, revestindo-se em histórias mitológicas, ora poéticas e graciosas, ora absurdas e pueris, ora imorais e grosseiras; e a própria “Tragédia Grega”, levar-nos-ia a equacionar a própria violência como factor preponderante para a interpretação dos textos. Mas, então, qual seria a interpretação certa a dar aos pequenos textos que nos falam do «cavalo e da jovem rapariga»?      
Que interpretação certa? Reformulando a nossa visão, e depois de termos lido o excelente trabalho científico dos Professores Ana Lúcia Curado e José Manuel Curado, quase que não arriscaríamos em procurar uma outra interpretação. Contudo, ao lermos a dado momento do referido texto que “o facto de existir esse conhecimento do folclore mágico das plantas não significa que pessoas sofisticadas e urbanas como Ésquines e Aristóteles o conhecessem” despertou em nós um desafio de procurarmos interpretar os referidos textos, contextualizando-os ao objecto – e/ou objectivo – para que haviam sido criados. Longe de nós em tentarmos diminuir (ou anular) a interpretação de tão ilustres catedráticos, já que, incontestavelmente, esse mesmo estudo assenta no profundo domínio do grego e da Hermenêutica, sendo que, além disso, a sua fundamentação não deixa qualquer margem para dúvidas.
Ao procurarem dizer-nos que Ésquines e Aristóteles projectaram sobre os diminutos elementos da história (a rapariga e a planta de nome estranho) “esquemas de inteligibilidade que reflectem os seus interesses intelectuais”, por forma a construírem uma história fortemente moralizadora, os mesmos professores permitir-nos-iam – com algum devaneio intelectual da nossa parte (por certo que nos perdoarão!) –, recorrer à interpretação alegórica, já que o texto de Ésquines assenta no julgamento de Timarco, onde são postas em causa as qualidades morais incompatíveis com as funções de cidadão e, circunstancialmente, o prostituído não pode exercer nenhum cargo público, nenhuma magistratura (Ésquines: Contra Timarco: I 19). De facto, Timarco foi levado a julgamento por falar na assembleia depois de ter tido semelhante conduta. Carlos Espejo Muriel, da Universidade de Granada, no seu trabalho «Pederastico Griego» fala-nos de exemplos que Ésquines nos oferece e aborda esta temática num capítulo intitulado «A negação da homossexualidade na Grécia». Numa das conclusões chega mesmo a afirmar: La pederastia es un fenómeno antiguo que nada tiene que ver con la homosexualidad, no en cambio esta última que responde a un concepto moderno, que tantas veces se ha utilizado para negar precisamente el deseo homosexual en la antiguedad, deseo que por otro lado queda expuesto al comprobarse la realidade de los gays en Grecia. E agora, que julgamentos e interpretações se fazem, ao tempo de outras imoralidades?
Pelo facto de – conscientemente – nos assumirmos como filhos da Grécia e de Roma, sempre que nos cruzamos com uma jovem rapariga e/ou um cavalo, procuramos reinterpretar a nossa própria existência. No tempo presente, enquanto os cavalos selvagens pastam livremente na Serra d’Arga ou no Gerês, a conduta política e sexual, a virgindade e a desonra deixaram de ser equacionadas, dado que a sobrevivência – a da politicamente correcta – dos “deuses” permanece, mas de uma forma selvagem… O selvagem da desonra!
Ao longo da “vida” sempre procuramos ser cautelosos, mormente quando accionamos o exercício permanente de interpretação. E essa será sempre a nossa postura. Daí, o poderem dormir descansados! 

Friday, October 11, 2013

O conhecimento nos limites do fenomenismo em David Hume!

“A atenção regular a um interesse tão importante como o da salvação eterna é capaz, por si só, de extinguir as afeições benevolentes e originar um egoísmo limitado e restrito. E quando um tal temperamento é encorajado, facilmente ilude todos os preceitos gerais de caridade e benevolência”

David Hume

Já lá vão cerca de cinco anos quando, através de uma crónica que mantínhamos no jornal Falcão do Minho, escrevemos acerca de David Hume [N. Edimburgo, 1711 – m. Edimburgo, 1776], filósofo, economista, escritor e historiador inglês, o primeiro a admitir o seu pendor ateísta, frequente acusação de que eram alvo alguns dos filósofos que o antecederam, numa altura em que tal adjectivação não se traduziria, por certo, em elogio para ninguém. Antes pelo contrário, os filósofos enfrentariam graves dificuldades de forma a convencerem as pessoas da antítese à “ordem estabelecida”. Sendo que David Hume admitiria o confronto com a teologia, tal acto – diríamos, atitude ou acção –, levá-lo-ia a ser protagonista de um escândalo público, cuja dissuasão pretendida pelos seus opositores se baseava numa argumentação filosófica, e não em eventuais torturas.
Na altura – de uma forma concisa o abordaríamos pelos seus princípios do pensamento – reportando-nos ao facto de que se no início da era Cristã, a filosofia foi absorvida pela teologia, centrada na aceitação de textos elaborados, por forma a construir-se novas argumentações dogmáticas, a partir Descartes (Séc. XVI), considerado como fundador da filosofia moderna, despreza-se os velhos pressupostos e a fundamentação assenta na filosofia da razão, ou seja, no método para conduzir a razão na busca da verdade, tentando unificar as ciências. Através deste “processo” procurava-se demonstrar que era possível negar tudo. Meio século mais tarde, John Locke revolucionou a noção de conhecimento ao introduzir o empirismo, cujo argumento defendia o princípio fundamental da filosofia, não na razão, mas na experiência. E David Hume procurou ir mais longe, ao querer demonstrar que já não era possível a construção de sistemas filosóficos, opondo-se, claramente, ao “penso, logo existo” de Descartes, com “a explicação da identidade pessoal: o «eu» como feixe de representações”. Daí, ser considerado o último representante dos empiristas britânicos clássicos: Thomas Hobbes (1588-1679), John Locke (1632-1704). O projecto de David Hume é, por assim dizer, o de construir uma ciência do homem, por forma a se “descobrir os princípios que regem as operações do pensamento ”.


Segundo Diego Sánchez Meca, David Hume ao romper drasticamente com a tradição metafísica ocidental que vai desde Heraclito até Gottfried Leibniz, inicia o movimento que nos leva às modernas filosofias antimetafísicas. A sua obra, nomeadamente o controvertido «Tratado da Natureza Humana», influenciou inúmeros filósofos, levando a que Bertrand Russel o viesse a considerar – ou a declará-lo – como o maior filósofo da língua inglesa. A influência sobre Immanuel Kant foi de tal ordem que o incitaria a “abandonar a metafísica racionalista e tornando possível a redacção da Crítica da Razão Pura”. Centrado no poder e na capacidade do entendimento humano, David Hume procura, assim – parafraseando Diego Meca –, romper com a metafísica, por considerá-la resultado de um infrutuoso esforço da vaidade humana, obcecada em penetrar em ideias e objectos abstratos, inexequíveis ao próprio entendimento humano. Ao rejeitar a parte mais incerta e desagradável do saber, Hume promove a Teoria do Conhecimento, a “filosofia primeira”. Segundo ele, a actividade do espírito ao ser fruto da acção em combinar, associar e generalizar os dados da experiência – dando forma às ideias abstratas, por ligação entre o particular e o universal – conduz-nos à subjectividade, cujo conteúdo mental tem apenas como origem as impressões. Ao sugerir-nos a inexistência de ideias inatas, acaba por reforçar a tese de que “todos os conteúdos da nossa mente se formam com base em impressões sensíveis ”. Assim, para ele, a ideia de substância na metafísica corresponde, naturalmente, a um conjunto de ideias particulares, reunido pela imaginação. Por isso, os conteúdos na nossa mente assentam na bipolarização de percepções: “Impressões” representações imediatas (experiência), por um lado e “Ideias”, representações mediatas (pensamento), por outro. Ao associarmos ideias, poderemos aumentar assim o nosso conhecimento!
Para David Hume, ao existirem três princípios de conexão entre as ideias: Semelhança (resemblance); Contiguidade (contiguity) no tempo e no espaço; e, Causa ou Efeito, graças aos mesmos, a imaginação – sendo que a mesma está na origem da ilusão e os princípios enraizados na natureza humana – amplia bastante o seu poder, ajudando a descodificar o processo de abstracção e produção das ideias gerais. Segundo o mesmo filósofo, as doutrinas filosóficas até então existentes ao carecerem de bases sólidas e, circunstancialmente, ao exprimirem princípios escolhidos sem provas, resultariam numa dicotomia entre si. No entanto, Hume, ao propor o estudo que consiste na investigação da origem das nossas ideias, estabelece – ou procura estabelecer – uma relação das ciências com a natureza humana. E essa relação só poderá ser estabelecida através do entendimento humano, tendo a noção de que este só poderá, também, ser conhecido pela observação e pela experiência. Aliás, a concepção filosófica na tradição empirista – e aqui reportamo-nos a David Hume – ao ser sustentada por duas teses gerais: “Todo o conhecimento tem a sua origem na experiência (percepções)” e “o conhecimento do mundo é constituído por relações estabelecidas entre percepções, elas mesmas determinadas pela experiência”, rejeita o “abstraccionismo aristotélico-escolástico” e o “inatismo cartesiano”. É por isso que a tradição empirista diverge da racionalista: Se os primeiros analisam as sensações e inferem indutivamente (empírica), os segundos pautam-se pela análise das ideias e inferem dedutivamente (racional). Convergem, no entanto, no objectivo da investigação filosófica, por forma a esclarecerem “como é que os sujeitos chegam a formar uma imagem do mundo”; no ponto de partida, exprimindo “a consciência dos sujeitos e respectivos conteúdos”; e, finalmente, no ponto de chegada, com a “possibilidade de formação de conhecimento sobre o mundo externo dentro de certos limites”.
Voltando à teorização das ideias, epistemologicamente falando, constatamos que as ideias simples organizam-se em ideias complexas, segundo princípios de associação, sendo os principais, como atrás descrevemos, a semelhança, a contiguidade no tempo e no espaço e a relação de causa e efeito. Hume, ao estabelecer uma distinção entre factos e relações, permitiu eliminar a metafísica, levando a que o raciocínio seja hoje considerado uma descoberta de relações entre os factos e as relações, sendo que as relações entre factos são contingentes – fundadas, necessariamente, na experiência –, enquanto as relações entre relações são necessárias, por se admitir que o seu contrário implica contradição. Mais, para Diego Sánchez Meca, em David Hume a tese caracterizadora do empirismo – todo o nosso conhecimento vem da experiência – utiliza para sua formulação, uma termologia distinta à de John Locke. Segundo o mesmo Sánchez Meca, “para Hume é mais correcto afirmar que toda ideia deriva da impressão, pois, no todo conteúdo de consciência é uma ideia, a não ser que seja conveniente distinguir entre impressões e ideias, devendo-se entender estas últimas como as imagens que conserva a memória e a imaginação das impressões ”. Assim, David Hume deixa bem claro que não há ideias inatas, pois ao todo conhecimento se basear na experiência, a mesma experiência consiste em dois tipos de percepções – impressões e ideias: “Quanto às impressões que têm origem nos sentidos, na minha opinião e a sua causa última é perfeitamente inexplicável pela razão humana e há-de sempre impossível decidir com certeza se elas têm origem imediata no objecto, se são produzidas pelo poder criador da mente ou se provêm do Autor do nosso ser”. David Hume denominaria por impressões, as percepções que penetram com maior intensidade e violência e, sob esta designação englobou todas as nossas sensações, paixões e emoções, quando surgem pela primeira vez na alma; enquanto por ideias, referir-se-ia às suas distintas imagens no pensamento e raciocínio. Ou seja, enquanto as ideias podem ser distinguidas umas das outras pela sua “vivacidade” (apoio empírico), as impressões gozam de primazia genética sobre as ideias, dado que possuem uma qualidade (“vivacidade”) superior às ideias. Se é que interpretamos bem, o mesmo acontece com as ciências matemáticas, cuja grande vantagem sobre as ciências morais, reside no facto das primeiras nos oferecer sempre clarividência e determinação, sendo facilmente perceptível a mais pequena distinção entre elas, face à ausência de ambiguidade ou variação na forma de exprimir as mesmas ideias. Normalmente, os mesmos termos exprimem as mesmas ideias, invariavelmente.
Por último, no que concerne à “explicação da identidade pessoal: o Eu como feixe de representações”, para Hume não existem substâncias; os corpos materiais são meros complexos de sensações; e, o Eu mais não representa que um feixe de sensações. Por outras palavras, “em nenhum momento temos uma percepção de nós mesmos”.
E, para melhor entendermos David Hume, terminaríamos com algumas palavras de João Paulo Monteiro: «A teoria humeana da inferência indutiva diz-nos como se procede à descoberta das causas dos fenómenos. Nos termos da teoria, fica bem claro que uma causa, para ser conhecida, só pode ser um objecto ou evento observável».
        As nossas sinceras desculpas aos nossos leitores, por esta pequena incursão filosófica/humeana, mas já há muito tempo que tínhamos necessidade de falar dos princípios filosóficos do pensamento, exercício cada vez mais necessário à “mandriice intelectual aguda” dos forjadores dos “calhostros da mamadeira na política”. Pensem e reflictam mais na prosperidade, resignando-se, obrigatoriamente, na adversidade. E, até para a semana!

Friday, October 04, 2013

Publicada “Nova História da Imprensa Portuguesa: das origens a 1865” de José Tengarrinha!

“Embora actualmente os termos «jornalismo» e «imprensa» abranjam diversificadas formas de comunicação social, o objecto do nosso estudo cingir-se-á às publicações escritas tendencialmente com carácter periódico e noticioso”

José Tengarrinha

José Tengarrinha, doutorado em História, conhecidíssimo professor catedrático jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, acaba de publicar uma magnífica obra, sob a chancela da “Temas & Debates / Círculo de Leitores”, com título «NOVA HISTÓRIA DA IMPRENSA PORTUGUESA: DAS ORIGENS A 1865» e 1003 páginas, cuja apresentação pública ocorreu no dia 3 de Outubro, no Centro Nacional de Cultura. Segundo se pode ler em sinopse, “esta Nova História da Imprensa Portuguesa faz a história das publicações periódicas, suas origens e desenvolvimentos, desde os primeiros papéis informativos surgidos em Portugal no século XVI e traçando a sua evolução no longo percurso de formação do jornalismo moderno no nosso país que tem como marco fundamental a sua fase de industrialização. Este fenómeno nacional é visto numa perspectiva comparada com os principais factos que então marcaram a imprensa europeia, tanto para assinalar contrastes e distanciamentos como para ter em conta as influências externas exercidas sobre o jornalismo português”. É precisamente essa a percepção que temos da obra.
De uma forma peculiar e com o rigor científico que o caracteriza (não publicasse ele obras em Portugal e no estrangeiro no domínio da História e das Ciências Sociais), José Tengarrinha acaba por nos retratar em quatro fases a supracitada evolução do jornalismo, recorrendo numa primeira fase aos PRIMÓRDIOS: I. As origens das folhas informativas, II. Os primeiros jornais, III. O «Novo» século XVIII, IV. Nas invasões francesas, V. O jornalismo da primeira emigração, VI. A crise (1811-1820), VII. A Censura às folhas informativas, VIII. Balanço da primeira fase, IX. O dealbar da Imprensa no Brasil; numa segunda fase ao NASCIMENTO DA IMPRENSA DE OPINIÃO: I. O primeiro período liberal (1820-1823), II. A interrupção do Regime Constitucional, III. O segundo período liberal (1826-1828), IV. Regime Miguelista e Guerra Civil (1828-1834); numa terceira fase aos LIBERAIS CONTRA LIBERAIS: I. A abertura à contemporaneidade (1834-1842), II. Do Cabralismo à Regeneração (1842-1851); e, por último, numa quarta fase à REGENERAÇÃO PACIFICADORA (1851-1864): I. Convergências e rupturas, II. Questões Centrais – economia e progresso, III. A desconcentração da Imprensa, IV. Maior diversificação dos géneros, V. Breve Balanço. Acresce a esta perspectiva comparada com os principais factos, seis APÊNDICES: I. A História acidentada do antepassado do “Diário da República”, II. A primeira Lei de Liberdade da Imprensa (Decreto de 4 de Julho de 1821), III. Lei de 22 de Dezembro de 1834 que foi a principal base do enquadramento legal da Imprensa Periódica no Liberalismo, IV. As perseguições sofridas “A Revolução de Setembro” em 1844, V. A aventura histórica do “Espectro”, VI. A independência política do escritor em relação ao jornal em que colabora. Esta magnífica obra possui ainda, para além das “Fontes e Bibliografia”, um índice remissivo, onde facilmente podemos localizar o que pretendemos, nomeadamente no que toca a títulos e intervenientes activos.


Poderíamos ficar por aqui se não tivéssemos constatado a referência bibliográfica, como uma das fontes consultadas por José Tengarrinha, da obra de grande fôlego «PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS VIANENSES», editada em 2009 pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, integrada nas Comemorações dos 750 Anos do Foral Afonsino atribuído a Viana, da autoria de Rui A. Faria Viana e António José Barroso. Convenhamos em dizer que, em Dezembro desse mesmo ano, esta mesma obra mereceu por parte de José Pacheco Pereira, no seu programa «Ponto Contra Ponto» (SIC), os mais rasgados elogios, a ponto (desculpem-nos a redundância) de a referir como exemplo a seguir por outros municípios do país: “Para que não se diga que só há dinamite às peças, eu trago aqui uma caixa de dinamite, mais de cento e cinquenta anos de dinamite cerebral, num estudo muito interessante sobre a imprensa local…” – citamos. Agora, nesta magnífica obra de José Tengarrinha, podemos ler numa das notas (p. 806), a propósito da história do jornal mais antigo de Portugal Continental, “A Aurora do Lima”: «PARA A EXTENSA HISTÓRIA DESTE JORNAL VER O EXCELENTE TRABALHO DE RUI A. FARIA VIANA E ANTÓNIO JOSÉ BARROSO "PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS VIANENSES" (VIANA DO CASTELO, CÂMARA MUNICIPAL, 2009)». Mais palavras, para quê? Pena é que alguns procurem menosprezar aquilo que de grande valor – e rigor científico – se faz em Viana do Castelo!
Para terminarmos, aqui fica uma retrospectiva, em termos de “Índice Remissivo”, da imprensa da região, citada na obra de José Tengarrinha: A Aurora do Lima (Viana do Castelo, 1855), 742, 795, 798, 881; A Razão (Valença do Minho, 1854-1861), 794, 798.
        Uma obra com nota máxima, esperando-se a sua continuidade até aos tempos de hoje. Seria a “cereja no topo do bolo”! 

Friday, September 27, 2013

Alvíssaras pelos trinta anos de «O Anunciador das Feiras Novas»!

“Desde a sua origem até aos nossos dias, as Feiras Novas, pela importância e significado do acontecimento, foram sempre alvo do conhecimento público através da utilização dos meios de comunicação adequados a cada época, assumindo a Imprensa o principal veículo de informação”

Alberto do Vale Loureiro

Por altura das Feiras Novas (Ponte de Lima) assistimos a uma extraordinária jornada cultural e gastronómica, onde o ponto de referência seria a efeméride comemorativa do trigésimo aniversário da publicação d’“O Anunciador das Feiras Novas” (2.ª Série), que desde 1984 se publica ininterruptamente, magnanimamente coordenado pelo nosso particular amigo Alberto do Vale Loureiro. Mas o embrião do “Anunciador das Feiras Novas” teve a sua origem em 1947, quando “em forma de opúsculo, com trinta e duas páginas, mais capa, aparece ao público, pelas mãos de Augusto de Castro e Sousa, o número I de «O Anunciador das Feiras Novas», designando-se como uma publicação anual de propaganda, tendo como objectivo principal anunciar as Feiras Novas ao mesmo tempo que pugnava pelo progresso de Ponte de Lima” – citamos Alberto do Vale Loureiro. Em 1948 é publicado o número II. E Alberto do Vale Loureiro acaba por nos dizer que “nos anos seguintes, por dificuldades inerentes à época, a sua editora (Tipografia Augusto de Sousa), não mais publicou «O Anunciador», ficando os limianos privados deste útil e popular instrumento cultural”. Foi então que, em 1984, com a conivência daquele que havia sido seu mestre de artes gráficas (Augusto de Castro e Sousa), Alberto do Vale Loureiro assumiu a orientação e responsabilidade da sua (re)edição, designando-a como Publicação Anual de Informação, Cultura, Turismo e Artes Limianas, acabando-se por constatar, e segundo as suas palavras – das quais comungamos –, que “os anos subsequentes são acompanhados de assinaláveis progressos, muito pela mercê do acolhimento da revista no seio da comunidade limiana e da sua aceitação nos mais variados sectores, quer no aspecto literário e económico quer ainda pelas demonstrações de apoio dadas por dedicados e arreigados limianistas, cujos seus préstimos levaram a edição a sucessivas melhorias gráficas que se destacam pela introdução da cor e aumento de páginas (224), sendo a sua tiragem de 1800 exemplares”. Muito mais haveria a dizer acerca desta publicação, mas a condicionante do espaço deste “ao correr da pena e da mente”, leva-nos a “encurtar” a deambulação apreciativa, manifestando o nosso assoberbado apreço pela mesma publicação, onde temos vindo a colaborar.
        

Ao longo dos trinta anos perpassaram pelas páginas desta extraordinária publicação, autores dos mais variados ramos das letras e das ciências, tais como: Adelino Tito de Morais, Alberto Antunes Abreu, Álvaro de Castro, Alberto do Vale Loureiro, A. Lopes de Oliveira, A. Mimoso Morais, Amadeu Costa, Amândio de Sousa Vieira, Amândio Sousa Pereira Dantas, Américo Amorim Gonçalves, Américo Carneiro, Ana Carneiro, Aníbal de Jesus Varela Marinho, António Fiúza, António José Baptista, António Manuel Couto Viana, António Mário Lopes Leitão, António Miguel da Silva Vasconcelos Porto (António Porto-Além), Aristides Brás Arroteia, Armando de Sousa Pereira, Carlos Gomes, Carlos Lima Magalhães (Menã), Celso Tobias Borges da Silva Barbosa, Cláudio Lima [pseudónimo de Manuel da Silva Alves], Cristiana Freitas, Cristóvão Pereira, Daniel Campelo, David Fernandes Rodrigues, Elisabete de Araújo Ramos, Ermelinda Vieira Rodrigues Mendes, Fátima Meireles, Fernando Castro e Sousa, Franclim Alves de Castro e Sousa, Francisca Martins, Francisco Sampaio, Gaspar José Pacheco Vilhena Maia, Henrique Rodrigues, João Carlos Brandão Gonçalves, João de Araújo Pimenta, João Gonçalves da Costa, João Gonçalves Ribeiro Marcos, José Aníbal Marinho Gomes, José Cândido de Oliveira Martins, José Cândido Pereira Mota, José Carlos de Magalhães Loureiro, José Diogo Marinho Falcão Gomes, José dos Santos da Costa Lima, José Ernesto Costa, José Gomes de Almeida Crespo, José Guerra dos Santos de Matos, José Luís Afonso Branco, José Maria Carneiro, José Pereira da Cunha Nunes, José Pereira Fernandes, José Sousa Vieira, José Velho Dantas, Laurinda F. Carvalho Araújo, Lima Barreto, Luís Augusto de Sousa Pereira Dantas, Lurdes Novo, Manuel de Sousa Pires Trigo, Manuel Dias, Manuel Luís Pinto de Morais, Margarida Martins, Maria Anabela Tito de Morais, Maria Brandão, Maria de Jesus Mira Bezerra, Maria do Céu Malheiro, Maria Emília Sena de Vasconcelos, Maria Gorete Moreira, Maria Helena Távora, Margarida Fernandes, Matias de Barros, Natividade Silva, Pereira da Cunha, Porfírio Pereira da Silva, Rui Brandão Leite Braga, Rui Manuel Magalhães Leitão Quintela, Salvato Trigo, Sandra Baptista de Matos, Severino Costa, Ulisses Duarte, Victor Amorim Castilho e Victor Mendes.     
Embora compreendamos a apreensão – e com alguma razão – de alguns órgãos de comunicação social regional, nomeadamente de Ponte de Lima, pela presença de publicações como o “Anunciador das Feiras Novas” (sem nos escusarmos em lembrar, também, numa situação um pouco diferente, o despropósito dos boletins municipais), dado que, e neste caso concreto, a publicidade é “gerida” por uma entidade que não deveria estar vocacionada, por uma questão de ética, para esse fim, temos que realçar o facto da importância que esta publicação representa para a região e para o país.
       Apenas um reparo final, sempre pautado pelo princípio “opinativo/construtivo”, na troca de galhardetes, onde foram referenciados, justamente, Augusto de Castro e Sousa, Alberto do Vale Loureiro e Amândio de Sousa Vieira, a este último nada de simbólico – pro memoria – lhe foi atribuído.

Friday, September 06, 2013

«Viana e a pesca do bacalhau» dão o mote a obra de grande fôlego de Manuel de Oliveira Martins!

“Em Viana e a pesca do bacalhau, a escrita manifesta a mesma índole que o autor revelara no seu trabalho anterior Pilotos da Barra de Viana do Castelo, obra publicada em 2010, que tivemos também o grato prazer de prefaciar e que se encontra esgotada…”

José Carlos de Magalhães Loureiro

Conhecemos o Comandante Manuel de Oliveira Martins desde os anos oitenta, do século e milénio passados, altura em que a convergência laboral, ligada às árduas tarefas do mar, nos aproximou de uma forma afectiva. Jamais poderemos esquecer essa sã camaradagem, sedimentada ao longo das duas décadas que trabalhamos na empresa (ENVC), que dava corpo a um projecto (hoje em dia à deriva, asfixiado por incompetências várias), em cujo Mar se apresentava como um extraordinário recurso de desenvolvimento da nossa região, quando passamos a lidar bem de perto, por inerência das nossas funções no Serviço de Docas, com o bom amigo Manuel Martins, na altura Piloto do Porto de Mar de Viana do Castelo. Tal como um dia escrevemos em “Retratos de Memória”, publicado em 18 de Agosto de 2004, no “A Aurora do Lima”, o Sr. Martins (como carinhosamente o tratávamos e continuamos a tratar) apesar de ter nascido em Cavião, Castelões, Vale de Cambra, a 10 de Dezembro de 1947, traz o mar e as gentes de Viana no coração. É evidente que não é nosso propósito debruçarmo-nos sobre o riquíssimo percurso académico e profissional deste (ora) ilustre vianense, pelo simples facto de o termos feito nesse “Retratos de Memória (XXXV)”, mas trazermos ao conhecimento dos nossos leitores a magnífica obra da sua autoria, intitulada «VIANA E A PESCA DO BACALHAU», em boa hora editada pelo Centro de Estudos Regionais (CER), Colecção CER/Seiva, com design de Rui de Carvalho, edição apoiada pelo Município de Viana do Castelo, “AGILIMA” e “TINITA: Transportes e Reboques Marítimos, S. A.”, cujo autor dedica a todos aqueles que andaram na pesca do bacalhau e aos seus familiares. Tal como afirma José Carlos de Magalhães Loureiro, Historiador e Presidente da Junta Directiva do CER, em prefácio à mesma obra: “Ao longo de todo o livro, os homens são compelidos à comparência. Fala-se de máquinas, de instituições e de empresas, nunca como entidades vácuas e frias, mas como espaços moldados pela acção dos homens. Neles eleva as qualidades, reconhece-lhes as fraquezas, sobressai a luta pela vida e distingue o que os dignifica”. Diremos nós, fazendo fé naquilo que conhecemos e estudamos da região, esta é a verdadeira forma de fazer História, longe dos decalques sucessivos, insipientes plágios e (in)disfarçáveis “eruditismos bacocos”, tanto em voga cá pelo nosso burgo.
 

A longínqua – porque desde muito novo – paixão do Sr. Manuel Martins pelo mar, facto que o estimulou a seguir a carreira de Oficial da Marinha Mercante, até terminar a carreira como Chefe de Departamento de Pilotagem do Porto de Viana do Castelo, por altura da merecida aposentação, em 31 de Maio de 2001, levou-o a permanecer atento aos desígnios dessa mesma paixão: “Quando jovem, sentava-me numa pedra na quebrada dum monte virado para ocidente, donde divisava o mar em dias límpidos e perdia a noção do tempo olhando o horizonte longínquo”. E os «PILOTOS DA BARRA DE VIANA DO CASTELO», seu primeiro livro, também editado pelo CER, em 2010, era o prenúncio de que o Sr. Martins não se deixaria ficar por ali. O seu testemunho é bem claro e elucidativo: “ Tive o privilégio de ainda conhecer todos os tipos de artes de pesca praticados na pesca do bacalhau. Fiquei com uma noção exacta da dimensão do esforço que cabe a cada homem, tendo por isso um enorme apreço, sem distinção, por todos aqueles que passaram por esta modalidade. / Depois de um longo período, de mais de vinte anos, em que fui mero espectador, vendo os navios partir e chegar, mas comungando das mesmas tristezas e alegrias da partida e da chegada, volta para uma nova campanha – para mim, a mais difícil –, transmitir como se viveu e conviveu com a pesca do bacalhau em Viana do Castelo”. Daí, a segunda obra de grande fôlego «VIANA E A PESCA DO BACALHAU», sair a lume em Agosto do corrente ano, em ano de Agonia, cujo Mar invade ruas da cidade no cortejo e noutras iniciativas culturais.
Preenchida por seis capítulos – para além do prefácio, introdução e conclusão –, esta obra aborda a parte histórica da Idade Média ao séc. XX, com as primeiras navegações para o Noroeste Atlântico, a acção de João Álvares Fagundes, o procurar da supremacia das rotas pesqueiras, a importância do sal, a dependência do estrangeiro, a retoma da pesca do bacalhau depois de 200 anos de inactividade (Cap. I); das Empresas dedicadas à pesca do bacalhau a operar em Viana do Castelo, no Séc. XX – a parceria de pescarias de Viana –, com análise estatística dos accionistas da Parceria de Pescarias de Viana, a Seca do Bacalhau, os primeiros resultados em 1914, a Companhia Marítima de Transportes e Pesca, a Nova Sociedade de Pescarias de Viana, a Empresa Estrela de Portugal, a Parceria de Navegação e Pesca – A Caminhense, a Empresa de Pesca de Viana, Lda. (Cap. II); os Navios de Linha, os Navios de Arrasto Clássico, os Navios de Arrasto pela Popa, e a importância dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo na Pesca do Bacalhau (Cap. III); a Assistência em Terra e no Mar, as Casas dos Pescadores, a Junta Central das Casas dos Pescadores, o Centro dos Pescadores de St. John’s, a Casa dos Pescadores em Viana do Castelo, as Escolas de Pesca, o Navio Hospital Gil Eanes (Cap. IV); Personalidades e outros Factos e Memórias da Pesca (Cap. V); Depoimentos Etno-Biográficos, com testemunhos de vinte e quatro intervenientes activos nessa “epopeia” do “fiel amigo” (Cap. VI). Teremos de concordar com o prefaciador desta (como anteriormente dissemos) magnífica obra, quando escreve que “a identificação do país com o bacalhau resulta de um longo processo histórico, onde confluem factores políticos, sociais e culturais. Presentemente, o consumo do bacalhau em Portugal coloca-nos na dianteira mundial…”.
Conscientemente e com o rigor científico exigível à transparência descritível desta realidade humana e geográfica, Manuel de Oliveira Martins acaba de prestar um grande serviço à História da nossa região, do país e da universalidade desse mar imenso que os portugueses souberam desmistificar, vencendo medos e “adamastor(es)”, qual trova do amor Lusíada de Manuel Alegre: “Meu amor é marinheiro / quando suas mãos me despem / é como se o vento abrisse / as janelas do meu corpo”.
        Nota máxima para esta magnífica obra e para o seu autor!

Friday, August 23, 2013

Victor Hugo Mendes, apresentador da Televisão Pública de Angola (TPA), edita o seu primeiro livro!

“A tua imagem é a tua marca registada, a tua assinatura. Impacta a tua vida pessoal e profissional. Investir nela é investir em ti mesmo, o que se aprende não tem prazo…”

Victor Hugo Mendes

Estávamos longe de imaginar que um dia iriamos ser convidados para apresentar o primeiro livro – «O meu livro de pensamentos», numa edição da Anim Edições – de um jovem angolano, o conhecido apresentador da Televisão Pública de Angola (TPA), Victor Hugo Mendes. Responsabilidade acrescida pelo facto de se tratar de uma figura mediática em Angola. Tal como afirmamos no dia da apresentação em Viana do Castelo, segunda a nível nacional e internacional – sendo que a primeira foi em Lisboa –, apesar de sermos defensores da velha máxima de que a biografia de um autor ou de um artista está nas suas obras, resolvemos arriscar o contraditório, por forma a darmos a conhecer o autor e depois a sua obra, numa leitura muito pessoal, isenta de eruditismos ou presunçosas deambulações crítico/literárias, muitas vezes feitas no sentido contrário à das “boas palavras custam pouco e valem muito” (Georges Bernanos). Por isso, aqui vão algumas notas biográficas sobre o autor que um dia sonhou escrever algumas linhas e deixar, para a eternidade, os seus e/ou os nossos pensamentos (01-Um começo, p. 13): Victor Hugo Mendes, natural de Malange (Angola), onde nasceu a 4 de Novembro de 1982, é divorciado e pai de dois filhos; Bacharel em Comunicação Social pela Universidade Privada de Angola (UPRA), trabalha em jornalismo televisivo e radiofónico; cresceu e viveu todo o conflito armado na sua terra natal onde, com muitas dificuldades, concluiu o Ensino Médio em Luanda; cedo abraçou a Filantropia num trabalho directo com a Igreja Católica; orador em palestras sobre vários temas para a juventude, foi convidado recentemente a discursar sobre a sua experiência como repórter, pelo Reitor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, a mais de 30 estudantes finalistas do curso de Jornalismo; é autor de 18 documentários sobre a vida e obra de alguns artistas angolanos – como Yuri da Cunha, Djeff Brown, Yola Araújo, entre outros – e sobre muitas empresas (Porto de Luanda, Ministério da Educação, Governos Provinciais, etc.); conta, ainda, com trabalhos realizados em prol da música – como a produção de um CD com temas ligados a Malange, a terra natal – e reportagens de África do Sul, Bélgica, Holanda e Namíbia.
 Bem, do Amor, do Progresso, da Harmonia, da Fraternidade e da Solidariedade –, a ponto de Teresa Guerra afirmar no prefácio que “os seus pensamentos, os seus ideais descritos, nesta obra, mostram a grandeza do seu ser e bem-querer em prol de todo o ser humano de uma sociedade” (Prefácio, p. 11). É esse o sentir e o ser de Victor Hugo Mendes, “as ideias e até convicções (e não só), que me guiaram e guindaram para o tipo de pessoa que sou – e como confirmam os escritos que vos deixo” (01. Um começo, p. 13).


       Espraiando-se por noventa e três pensamentos (ou capítulos, como queiram entender), Victor Hugo Mendes faz perpassar em «O meu livro de pensamentos», os mais variados temas e preocupações da actualidade – assentes nos pilares do
É evidente que não iremos aqui esmiuçar todo o conteúdo deste extraordinário livro, que à boa maneira Kantiana reserva “o uso da palavra pensamento à designação das faculdades que tornam possível o conhecimento elaborado”, mas sentimo-nos na obrigação de dar testemunho dessa percepção pessoal de alguém que um dia conheceu um amigo (chamado LIVRO), o qual nunca mais se separou de si, “filho não sei de quem, mas é famoso e conhecido como o mestre mudo. Amigo de todos e inimigo de quem nunca o folheou” (02. Livro, p. 15). Faz sentido a máxima – sem ser forçada a ser “imperativo categórico” – de Victor Hugo Mendes, quando nos diz que “ler um livro é como o amor que sentimos por uma mulher. Quem o prova nunca mais esquece e melhor ainda, só cresce” (02. Livro, p. 15). A verdadeira condição humana é o principal motivo de preocupação para Victor Hugo Mendes, tendo em conta que para ele “o ambiente em que somos concebidos e o meio social em que nos inserimos, determinam aquilo que somos ou podemos vir a ser” (03. O Humano, p. 16), apontando a mudança através do querer, no sentido de melhorarmos, de uma forma intrínseca à interiorização do “eu”, conservando os valores morais e cívicos, contemporaneamente em decadência; a luta pela sobrevivência iniciada logo na hora da concepção, “entre milhões de espermatozóides, termos sido o óvulo fecundado, já nos torna grandes vencedores” (04. Lutar, p. 17), surgindo o maior problema em plena vida, onde a eterna luta pela sobrevivência nos faz virar as costas à natureza, ansiando estar nos melhores lugares, sermos os melhores aqui e acolá, proeza inalcançável por muitos; a constatação do ser humano como ambicioso por natureza, qual “educação de berço”, dará sequência à educação evolutiva como “via mais segura e determinante para o desenvolvimento de uma nação” (06. Ambição em Educar, p. 19), uma das mais importantes riquezas que a sociedade precisa de ter para com os seus, apostando na formação de professores e fazendo da escola o lugar mais importante de um país sério; as inúmeras imprevisibilidades, estando “preparado para algo que não acontece do que para algo que possa, eventualmente, acontecer” (07. Imprevisibilidade, p. 21); a condição de errar, sendo que “o melhor é aquele que aceita o erro e pede desculpa a todos sem dar muitas curvas” (08. Errar, p. 22); a mentira como algo incomensurável, cuja factura poderá não ter cobertura e onde “ser um Kota mentiroso é, igualmente, penoso” (09. Mentira, p. 24); o valor dado às pessoas e a todas as coisas materiais, “muitas vezes, só quando estamos a perdê-las ou quando já as perdemos de facto” (10. O Valor, p. 25), sendo que as feridas curam, as cicatrizes demoram mais mas, bem apagadas, a vida toma outro sentido, procurando em nós o melhor exemplo a seguir; a paciência como uma das grandes virtudes; o segredo como a alma/arma do negócio, velha máxima que empurra Victor Hugo Mendes para a desmistificação da intolerância dos jovens de hoje, que não aprendem ou não querem aprender a guardar segredos, sendo que “a gente que não é gente, não se pode confiar um segredo” (12. Segredo, p. 28); as decisões difíceis de tomar, “principalmente se estiverem em jogo vidas humanas, empregos e outras coisas que nos tiram o sono já que, tememos que sejamos mal percebidos e/ou que as consequências desta decisão possam ser catastróficas” (13. Decisões, p. 30); o presente como uma incógnita de futuro, qual morte de seu pai o obrigaria a reflectir sobre a condição humana: “Aos pais e mães de toda a Angola, o meu eterno respeito e um pedido de desculpas em nome dos filhos que traem a vossa confiança” (14. O Presente, p. 33); a débil motivação dos jovens, por falta de paciência, humildade e coragem; a forte capacidade demonstrativa que as pessoas inteligentes devem ter em respeitar as menos inteligentes, sempre com a noção clara de que “os mais inteligentes precisam de saber que os menos inteligentes têm muito para nos ensinar” (17. Inteligência, p. 37), etc., etc., etc…


E como anteriormente referimos, seria uma despropositada presunção da nossa parte, tentarmos esmiuçar aqui todo um pensamento de Victor Hugo Mendes que, por certo, extravasa a mais de uma centena de páginas que ora se nos oferece neste «O meu livro de pensamentos», porque assente na noção clara de que para distinguirmos rigorosamente entre aquilo que pertence ao campo da psicologia e aquilo que pertence ao campo da lógica, teríamos que separar o pensar, por um lado, e o pensamento, por outro. Aquilo que apreendemos da leitura dos pensamentos de Victor Hugo Mendes, leva-nos a creditar o pensamento como o objecto da lógica enquanto investigação da sua estrutura, das suas relações e das suas formas independentemente dos actos psíquicos e dos conteúdos intencionais. De facto, “os pensamentos, enquanto objecto da lógica, têm uma realidade formal distinta da que têm quando constituem o objecto de uma ciência e são considerados como a forma que envolve um conteúdo que se refere a uma situação objectiva” (Mora, 1991: 305-306). É nesse sentido que nos deliciamos com as mais de nove dezenas de deambulações ou actos psíquicos que têm lugar no tempo e ao tempo de Victor Hugo Mendes: Meio, Perder, Privacidade, Assumir, Desenvolvimento, Direito, Futuro, Acredito, Caminho, Excesso, Crianças, Beleza, Perdão, Doutormania, Conduta, Ideias, Ter, Inspiração, Energia, Vencer, Amadurecimento, Atitude, Opções, Violência, Relações, Eternidade, Paixão, Amizade, Vida, Raiva, Rir, Fogo de Família, África, Saudade, Sol, Fama e Escrita – palavras escolhidas não aleatoriamente e que, só por si, constituem a expressão filosófica de quem sente que “há dias em que não consigo perceber como em mim nasce tanta inspiração para escrever, independentemente da natureza das coisas que escrevo. / Outras vezes, não consigo sequer imaginar o mínimo para escrever” (93. Escrita, p. 130). Há de facto um profundo sentido filosófico em tudo o que escreve Victor Hugo Mendes, adivinhando-se um pensador em crescente, porque preocupado e atento ao mundo que o rodeia: “Quando aprendemos a perder de verdade, constatamos que saberemos ganhar com sinceridade. Pode até demorar, mas a vitória é bem mais agradável” (91. Não ter medo do fim, p. 127) ou, a propósito da fama, “entendo que ser famoso é importante e muitos lutam por tal, mas para mim é uma mera casualidade. Eu sei que muitos são submissos porque querem uma vida que não é para eles, mas eu vivo a minha vida sem olhar para a do outro. Uns tentam ser fortes para mostrar que são inquebráveis e eu sou quebrável e por isso reconheço que sou fraco. / Uns não choram porque são egocêntricos e eu choro porque sei amar e não bloqueio a emoção entre o coração e os olhos. / Uns lêem, aceitam, mas preferem calar-se porque são meus amigos e porque eu os amo de qualquer jeito” (89. Fama, p. 125) – porque nos negamos ao silêncio, mesmo que um dia venhamos a ser amigos, diremos: SIMPLESMENTE SUBLIME!
Finalizaremos com um abraço de africanidade deste “kota muxicongo”, que teve o privilégio de ter feito parte da paisagem angolana, qual visionária similitude ou antítese vivencial com a tua “África linda. Querida e acolhedora. Sofredora e descalça, mas sempre pomposa. / África das lágrimas, da coragem e da vanguarda. / África, da esperança, da pureza e da humilhação. / África do futuro, berço da Humanidade, olhada no presente. / África, da força, do esforço e da pobreza. / África de um, de todos para uns. / África…” (82. África, p. 117).
       Nota máxima para «O meu livro de pensamentos», para Victor Hugo Mendes, e para a Anim Edições, na pessoa da escritora Helena Osório, sua mentora e editora!

Saturday, August 17, 2013

Publicado estudo sobre o espólio de Edmundo Curvelo!

“O ensino de Curvelo despertou num número significativo de estudantes o interesse pelos métodos de raciocínio típicos daquela disciplina, bem como pela sua aplicação aos problemas perenes da Filosofia, e a sua morte prematura representou sem dúvida uma grande perda para o pensamento lógico nacional”

João Branquinho

Sob a responsabilidade de MANUEL CURADO (Professor da Universidade do Minho, Auditor de Defesa Nacional, Doutoramento cum laude pela Universidade de Salamanca, Mestrado pela Universidade Nova de Lisboa, Licenciatura pela Universidade Católica Portuguesa, de Lisboa; Titular do Curso de Alta Direcção para a Administração Pública; Perito da Comissão Europeia em Ética; e é o director da revista Jornal de Ciências Cognitivas) e de JOSÉ ANTÓNIO ALVES (Licenciado em Filosofia e Mestre em Ciências Cognitivas pela Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa; co-organizador do livro “Escola de Braga. A Correspondência com Delfim Santos”; autor do livro “Limites da Consciência. O factor temporal da mente e a ilusão de liberdade”; desde Outubro de 2010 é doutorando em Filosofia da Mente, no Centro de Estudos Humanísticos do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho, com um projecto sobre a obra de Edmundo Curvelo; é Bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia do Ministério da Educação e Ciência; Bolsa com o financiamento comparticipado pelo Fundo Social Europeu e por Fundos Nacionais do MEC), e a chancela da “Imprensa da Universidade de Coimbra” (Série Documentos), acaba de ser publicado um extraordinário livro científico, «UM GÉNIO PORTUGUÊS: EDMUNDO CURVELO (1913-1954)», que nos oferece o primeiro estudo sobre o espólio de Edmundo Curvelo, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e um dos introdutores dos laboratórios psicotécnicos e psicológicos em Portugal. São assim publicados pela primeira vez manuscritos filosóficos de Curvelo, bem como a sua correspondência com grandes nomes da Cultura e da Filosofia do século XX (W. V. Quine, Alonzo Church, Stephen Kiss, Joaquim Carvalho e Delfim Santos). O livro apresenta igualmente um estudo de enquadramento da obra de Curvelo e da ciência portuguesa do século XX.


Edmundo Curvelo, de seu nome completo Edmundo de Carvalho Curvelo, nasceu em Arronches, distrito de Portalegre, a 18 de Outubro de 1913 e faleceu em Lisboa a 13 de Janeiro de 1954. Segundo Manuel Curado e José António Alves, responsáveis por esta magnífica obra, o Professor Edmundo Curvelo viveu a maior parte da sua vida em Lisboa, mas também se deslocava muito a Abrantes, cidade adoptada pela família e onde se refugiava para descansar. Em Lisboa estudou e trabalhou, como professor liceal e universitário, e desempenhou funções de técnico do Instituto de Orientação Profissional (IOP) da Universidade de Lisboa. “A sua curta vida de quarenta anos foi suficiente para deixar às gerações vindouras uma obra digna de ponderação e reflexão. O reconhecimento da originalidade e do grande valor desta obra aconteceu desde o tempo da vida de Curvelo, talvez mais da parte de especialistas estrangeiros do que da parte do público português. Os especialistas portugueses nunca deixaram de valorizar a obra de Curvelo, desde os tempos do Professor Vieira de Almeida até aos investigadores mais recentes. Este interesse constante ao longo de décadas é plenamente justificado porque o pensamento de Curvelo contribuiu para grandes avanços na filosofia e em muitas outras disciplinas, onde se destacam a lógica, a matemática e, principalmente, a psicologia. / Sendo arriscado resumir apressadamente uma obra que não se chegou a desenvolver quanto podia devido a uma morte precoce e trágica, é possível afirmar que o objectivo do pensamento filosófico de Curvelo era o de atribuir à psicologia o estatuto nobre de uma ciência com a dignidade das outras” – citamos do capítulo “I. O enigma de um filósofo rigoroso”.
Sem procurarmo-nos enredar numa análise crítica (para a qual não estamos devidamente avalisados), face à sofisticação de conteúdos científicos da obra ora apreciada, gentilmente oferecida pelos seus autores, apenas nos é dado registar que a mesma tem 406 páginas e está estruturada com sete capítulos e trinta e cinco subcapítulos: I. INTRODUÇÃO (I. O enigma de um filósofo rigoroso; II. O legado; III. Os manuscritos filosóficos; IV. Edição dos manuscritos), II. MANUSCRITOS FILOSÓFICOS (I. Amanhecer; II. A Restauração de 1640; III. A origem e o fundamento da Obrigação Moral / Imanência e transcendência do dever; IV. Máquinas e homens; V. Literatura Infantil; VI. A evolução e o indivíduo; VII. Da teoria e da prática da psicotécnica; VIII. Vamos conquistar a nossa profissão?; IX. As leis científicas e os conhecimentos científicos; X. Em presença dos factos naturais; XI. As duas portas; XII. Lições de Lógica; XIII. Anotações), III. TRADUÇÕES (XIV. A existência de objectos materiais [A.H. Basson]; XV. A existência de objectos materiais [Hao Wang]), IV. POESIA FILOSÓFICA (XVI. Caminho dos homens; XVII. Poemas dispersos), V. CORRESPONDÊNCIA (XVIII. Correspondência de Edmundo Curvelo para Noémia Cruz; XIX. Correspondência entre Edmundo Curvelo e Joaquim de Carvalho; XX. Correspondência entre Edmundo Curvelo e Delfim Santos; XXI. Correspondência com autores estrangeiros; XXII. Correspondência para Joaquim de Carvalho com referências a Edmundo Curvelo), VI. IMPRENSA (XXIII. Entrevista de Quirino Teixeira a Edmundo Curvelo; XXIV. Peço a palavra Edmundo Curvelo; XXV. Um morto ilustre; XXVI. Professor Doutor Edmundo Curvelo; XXVII. Professor Doutor Edmundo Curvelo; XXVIII. Professor Doutor Edmundo Curvelo), VII. BIBLIOGRAFIA E ESPÓLIO (XXIX. Obras publicadas em vida; XXX. Espólio e Biblioteca Pessoal; XXXI. Estudos), terminando com os agradecimentos.
Aqui fica a sugestão de leitura de mais um livro, onde faz perpassar a certeza de que o trabalho intelectual de Edmundo Curvelo parte do conhecimento da reflexão multissecular da filosofia sobre a mente humana e sobre o comportamento humano e procura “logificar” essa área de estudos, fazendo da psicologia uma ciência rigorosa e não apenas uma colecção de discursos interessantes e impressionistas: “Uma estrutura é um sistema lógico em que os símbolos são inteiramente abstractos, conforme o significado que introduzimos nesses símbolos, assim ele pertence a um ou outro sistema determinado” (Curvelo, Aula Prática XV).
       Nota máxima para este extraordinário trabalho científico, que nos proporcionam Manuel Curado e José António Alves, ilustres académicos ligados às Ciências Cognitivas!

Friday, August 09, 2013

Publicada antologia com textos inéditos do Padre Himalaya!

“Um livro é um mundo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive”

Padre António Vieira

O Município de Arcos de Valdevez acaba de publicar uma obra de grande fôlego, com o título «Padre Himalaya: Antologia com textos inéditos», cuja introdução e selecção é feita pelos nossos particulares amigos Jacinto Rodrigues, Professor Catedrático Jubilado da Universidade do Porto, autor de mais de uma dúzia de livros, entre os quais “Arte Natureza e a Cidade”, 1993, “A Conspiração Solar do Padre Himalaya”, 1999 e “Sociedade e Território”, 2006, e mais de uma centena de artigos em Revistas e Jornais. Licenciou-se em Filosofia na Universidade do Porto, Certificado de Sociologia Geral, na Sorbone-Paris, Mestre em Urbanismo na Université Paris VIII, Doutor na Universidade Nova de Lisboa e Agregação na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto; e sua excelsa companheira Rosa Oliveira, Assessora Editorial, Educadora pela E.S.E. Jean Piaget de Arcozelo, sendo, para além disso, licenciada em Português-História e Pós-graduada em Estudos Portugueses Multidisciplinares na UAb.
Já há muitos anos que conhecíamos todo o empenho e acção científica do Professor Doutor Jacinto Rodrigues, em tentar descodificar percursos, projectos, pensamentos e filosofia de vida do Padre Himalaya, qual história interminável de um HOMEM cuja vida e obra foi no seu tempo “ostracizada por interesses vários, nomeadamente económicos, sociais e políticos”, tendo porém a capacidade de se tornar cada vez mais exemplar e actual para o nosso tempo. É evidente que não nos iremos debruçar sobre o conteúdo desta extraordinária publicação (875 páginas e capa dura), que ora sai a lume, mas não poderíamos deixar de despertar a curiosidade naqueles que, porventura, possam vir a estar interessados em adquirir ou a conhecer esta obra.


Assim, esta Antologia do Padre Himalaya, com textos inéditos é constituída por uma Introdução e Selecção de textos, organizada em três partes: 1. TRAÇOS FUNDAMENTAIS DUMA BIOGRAFIA, onde se pretende, em traços largos, descrever a biografia do Padre MAG Himalaya; 2. PARA UMA LEITURA CRÍTICA E UM OLHAR ACTUAL, estando a obra do Padre Himalaya inserida num contexto histórico-social, entre 1868 e 1933, encontra-se contudo, em muitos aspectos, extremamente actual, como os responsáveis pela introdução e selecção acabam por mostrar ao longo da análise crítica das patentes, das propostas sociais e das preocupações culturais. Esta actualidade expressa-se ou revela-se através dum pensamento ecosófico em que o Padre Himalaya aponta para o novo paradigma civilizacional, cada vez mais premente; 3. UMA HISTÓRIA INTERMINÁVEL, onde, com este tema, o Professor Jacinto e a Dra. Rosa, pretendem mostrar como a vida e a obra do Padre Himalaya, e como anteriormente citamos, que foi no seu tempo ostracizada por interesses vários, nomeadamente económicos, sociais e políticos, teve porém a capacidade de se tornar cada vez mais exemplar e actual para o nosso tempo. Ainda nesta parte, os responsáveis pela Introdução e Selecção, pretendem revelar como a sua obra continha, já naquele tempo, as sementes do futuro com que as gerações de hoje podem concretizar uma eco tecnologia, uma solidariedade social e uma relação harmoniosa com a natureza.
Para terminar, convém recordar que a selecção é constituída pelos principais textos, alguns deles inéditos, manuscritos e dactilografados que o Padre Himalaya escreveu sobre diferentes temas (Naturopatia, Economia, Ecosofia, Patentes), e em situações específicas (Artigos, Entrevistas, Conferências, Intervenções na Academia de Sciências de Portugal, etc.). O Professor Jacinto e a Dra. Rosa decidiram publicar também a correspondência principal que lhes pareceu mais significativa, para uma melhor compreensão da sua vida, dos seus sonhos, das suas realizações e das suas dificuldades. E vincaram bem o propósito que “não ressaltará deste trabalho a exaltação apologética e com aura de santidade, do Padre Himalaya. Será, seguramente, a imagem de um homem que, para além do seu tempo, soube abrir-se a uma humanidade, a uma sociedade mais livre e fraterna e a uma tecnologia do futuro”.
Exceptuando uma ou outra falha na qualidade de impressão, no que concerne à parte de reprodução documental, teremos em dizer que se trata de uma obra de grande referência para a região, para o país e para o mundo, dada a dimensão intelectual e científica do Padre Himalaya. Concordamos plenamente com o jornalista Nicolau Santos (Expresso), quando descreve o Padre Himalaya – e a propósito de um seu artigo que intitulou de “50 Razões Para Nos Orgulharmos de Portugal” – como uma das razões desse orgulho, “por termos neste sábio o precursor da ecologia moderna com os seus inventos de energia solar que revolucionaram o paradigma tecnocientífico, abrindo as portas para uma ecotecnologia que cada vez mais sentimos como o futuro da humanidade”.
        Estão de parabéns, o Município de Arcos de Valdevez, o Professor Doutor Jacinto Rodrigues e a Dra. Rosa Oliveira. É um grande serviço que prestam à comunidade cultural e científica da humanidade!

Friday, August 02, 2013

Romance premiado de Paula Teixeira de Queiroz, apresentado na Feira do Livro de Viana do Castelo!

“Paula Teixeira de Queiroz é uma advogada da capital que nasceu nos Arcos de Valdevez, nas franjas do Soajo e da Peneda onde o tempo acontece e passa de um modo diferente do de Lisboa. Alberga em si a vivência cosmopolita e febril da cidade e a calma serena e simples da aldeia”

Manuel Franco Pita

Há evidências que jamais poderão vir a ser explicadas, se condicionadas pela estreiteza de horizontes – visionários ou não – de muitos daqueles que olham para os outros, acomodados na sua “ego-presunção” de “fisiognomonistas”. Por termos sofrido na pele a síndrome de um desses “cardialíssimos” e/ou “ressabiados cultores de pacotilha”, que num determinado dia aventara a melhor qualidade de escrita em Miranda Rebôlo, por “imperativo comparativo” com a nossa condição de escritor metalúrgico, de rosto visível e forjado pela tempera da “ferrugem”, quando na verdade ambos se fundiam na mesma pessoa. É por isso que antes de conhecermos pessoalmente qualquer escritor ou escritora procurarmos, antes de mais, auscultar-lhe a alma criativa da imaginação. Só depois disso é que fazemos a “acostagem” ao porto de abrigo do criador(a). Assim aconteceu com Paula Teixeira de Queiroz e o seu premiado – Prémio Literário Aldónio Gomes 2013: Departamento de Línguas e Cultura da Universidade de Aveiro – romance «A Bruxa de Grade», recentemente apresentado na 33.ª Feira do Livro de Viana do Castelo, numa brilhante apreciação crítica do médico e nosso particular amigo/irmão Manuel Franco Pita.

Na mesa (da esquerda para a direita): Manuel Franco Pita (apresentador); Paula Teixeira de Queiroz (autora); Américo Carneiro (Academia de Letras e Artes - ALA); e José Lacerda e Megre (Clube dos Poetas Vivos).

Apesar de termos a vincada ideia – como parte integrante do nosso ideário – de que a biografia de um escritor é a sua obra, apraz-nos dizer, em traços simples, que Paula Teixeira de Queiroz nasceu em Arcos de Valdevez e vive em Lisboa. Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa e é advogada de profissão. Concluiu o curso de Tradução no ISLA e trabalhou na Apimprensa – Associação Portuguesa de Imprensa, em Assuntos Europeus, representando os editores de jornais e revistas em Bruxelas na EMMA (European Magazine Media Association) – e na ENPA (European Newspaper Publishers Association). Foi lobbyist no Parlamento Europeu e Comissão Europeia. Em 1996 fez o curso de Desenho com o escultor Sebastião Quintino na Sociedade Nacional de Belas Artes. Para além de ser cronista em vários jornais, publicou as seguintes obras: Contos do Destino e do Desatino (Opera Omnia, 2010); Contos de Amor e Desamor (Animedições, 2012); e, presentemente, A Bruxa de Grade (Animedições, 2013), como já anteriormente referimos, foi «Prémio Literário Aldónio Gomes» no corrente ano.
Falando agora d’A Bruxa de Grade, tomados pela consciência de uma leitura que fizemos na diagonal, com a promessa de uma leitura aturada nas férias que ora iniciamos, sentimo-la (à escritora, claro!) – fazendo nossas as palavras de Manuel Franco Pita, no dia da apresentação – como uma “pessoa sensível que é e que olha o mundo com olhos de ver e não apenas de olhar, interiorizando não apenas o indivíduo mas também a sua circunstância e o modo de ele a absorver e interagir com ela”. São assim os verdadeiros escritores: observam, interiorizam e interagem com as personagens. Daí, concordarmos com Mário Cláudio quando se referia ao facto – e talvez a propósito dos contos de Paula Teixeira de Queiroz – de se deparar “com um belíssimo conjunto de ficções, atento aos seres e enganos da vida, e de uma qualidade formal que raramente me chega às mãos”, pressupondo a anuência da qualidade de escrita desta mulher que “alberga em si a vivência cosmopolita e febril da cidade e a calma serena e simples da aldeia”; e com a interiorização de Manuel Franco Pita que no dia da apresentação nos revelaria a percepção de estarmos perante uma “novela [que] flui como um rio, mais tumultuoso que calmo, com os acontecimentos sucedendo-se, prendendo o leitor ao enredo e com as personagens a revelarem-se nas suas grandezas e misérias com a complexidade intrínseca à espécie humana. A história faz-se de personagens vivas que trilham caminhos potencialmente reais e absorventes”. E são muitos os lugares comuns aos nossos próprios passos, levando-nos a ter uma certa cumplicidade física, porque geográfica, e psicológica com as suas multifacetadas personagens, sejam elas suecas, russas, francesas, angolanos, brasileiras – qual Olinda, onde José Eduardo Agualusa, muitas vezes se inspira –, canadianas ou portuguesas. Os lugares calcorreados “obrigam-nos” a fazer parte do enredo, por nos sentirmos agentes na acção: “No ano seguinte voltou a Âncora e no outro e no outro. Davam longos passeios até à Gelfa, onde havia um forte em ruínas… Ouvia a ronca em noites de nevoeiro e acabava por adormecer com aqueles sons que perdurariam nos seus sonhos até ao ano seguinte” (p. 12); “A ansiedade traía-a, só podia ser fruto do seu estado de espírito, ali, no fim do mundo, na Gelfa, em frente à praia de Âncora. Das casas dos pescadores, de que se lembrava na sua infância, agora só existem prédios de mau gosto apenas suportáveis à noite, quando o néon das luzes do paredão as ofuscava…” (p. 14); “Galgou o caminho de areão até à estrada de asfalto, onde se sentou no abrigo à espera da camioneta para Viana. Aí apanharia a outra, do Cura, para Arcos de Valdevez, e ainda a do Salvador para Grade” (p. 19); “campo, praia, acampamentos no parque Peneda-Gerês, os espigueiros de Soajo sempre o tinham fascinado, podia ficar horas sentado na pedra quente encostado a um pilar a olhar a serra” (p. 26); “estava acampado no Mezio, na altura um paraíso: a fonte das Sete Bicas, as casas do guarda onde vendiam mel, o abrigo de pedra na casa de cima, as galinhas a cacarejar com o rafeiro atrás a soltar latidos de gozo…” (p. 28); “Muita água correu no rio da aldeia, muitas neves coroaram a Serra da Peneda” (p. 61); “Quem lhe dera ver-se já em casa, de preferência na casa da Gelfa…” (p. 227), etc., etc… Outros lugares, outras gentes e outras tantas emoções perpassam pel’A Bruxa de Grade, a ponto de Manuel Franco Pita afirmar que “nas próprias palavras da autora o tema central da «Bruxa de Grade» é o misticismo, a premonição, o não visto mas sentido”.
             

              É evidente que não é nosso objectivo retirar aos potenciais leitores de Paula Teixeira de Queiroz, o prazer da leitura desta obra, onde “personagens mundanos e rurais cruzam-se num ritmo alucinante”, tendo em conta a livre interpretação de cada um. Entendemos que o livro depois de impresso passou a ser “propriedade” dos leitores, competindo-lhes interagirem com os lugares e as personagens. Por isso, ficamo-nos por aqui. Contudo, por obrigação do nosso “consciente activo”, recomendaremos o livro e autora, num propósito de testemunho, partilha e cumplicidade!

Thursday, July 25, 2013

Apresentado publicamente o volume II da revista “A Falar de Viana”!

“O empenho evidenciado por todos os colaboradores é merecedor da nossa gratidão, pois, o seu trabalho é fulcral no bom êxito desta publicação. Igualmente, prestamos homenagem a todos os que contribuíram para esta edição, especialmente os patrocinadores. Não temos dúvidas que este número de A Falar de Viana engrandecerá no tempo, de forma indelével, a Romaria das Romarias…”

Os coordenadores

Aí está A Falar de Viana (Volume II, Série 2) – apresentado publicamente na abertura da 33 Feira do Livro de Viana do Castelo, que irá decorrer de 20 de Julho a 4 de Agosto –, cuja coordenação geral, pelo segundo ano consecutivo, é da responsabilidade dos Drs. Rui A. Faria Viana e António Maranhão Peixoto, cabendo-nos a nós a responsabilidade editorial. A explicação para a viragem editorial desta publicação, cuja primeira série saiu de 1995 a 2011 (dezassete números em dezassete anos), foi dada no primeiro número do ano passado: “Inicia-se com o presente número uma nova série desta revista. Nela são introduzidas diversas alterações com vista a torná-la mais atractiva de que se salientam a reestruturação do seu aspecto gráfico e a forma de apresentação dos conteúdos em diferentes secções. O formato habitual mantém-se, todavia, decidiu-se retirar a reprodução do cartaz das Festas da capa, sendo agora divulgado no seu interior, assumindo-se como uma publicação periódica anual onde se destaca aí o título A Falar de Viana, devidamente registado e com o respectivo ISSN. / A Falar de Viana pretende reforçar a componente cultural da Romaria de Nossa Senhora d’Agonia, acolher o maior número de colaboradores e textos inéditos sobre a cidade e as suas festas, continuando a divulgar narrativas com interesse sobre esta temática já editadas noutras publicações, havendo, no entanto, o cuidado de uma melhor identificação das fontes e dos seus autores…”. Assim justificávamos a renovação da imagem, a orientação e o alinhamento dos conteúdos!

Mesa de apresentação (da esquerda para a direita): Dr. Maranhão Peixoto (Arquivo Municipal), Dr. Rui Viana (Director da Biblioteca), Eng. José Maria Costa (Presidente do Município) e Dra. Maria José Guerreiro (Vereadora da Cultura). 

Sem grandes rodeios apreciativos, pelo facto de corrermos o risco de o ajuizarmos em causa própria, teremos que dizer que no presente número tivemos o privilégio de contar com quarenta trabalhos inéditos e o patrocínio de vinte e quatro das mais prestigiadas empresas do país e da região, o que acaba por fazer denotar a importância alcançada, na divulgação das “Romaria das Romarias”, por esta mesma publicação.
Dividida em quatro secções (Memória, Registo, Antologia Poética e Colectânea), conta ainda com uma mensagem do Presidente de Honra da Romaria da Senhora d’Agonia, Carlos Manuel Benjamim Marques da Silva, a apresentação dos coordenadores, a reportagem fotográfica de 2012 e o programa das Festas de 2013. A secção «Memória» conta com os seguintes trabalhos: Particularidades das Festas de Nossa Senhora d’Agonia de 1913, de Rui A. Faria Viana; As Festas há 100 anos segundo A Aurora do Lima, de Bernardo Barbosa; e, Memórias da Festa, de António José Barroso. Na secção de «Registo» são publicados dois trabalhos de Cláudio Basto (“A mulher do Minho” e “Viana do Castelo: A Princesa do Lima”) e um de Luiz Teixeira (“Festa de Agosto na Ribeira Lima”), publicado na revista “Panorama” em 1958, gentilmente enviado pelo nosso particular amigo limiano Amândio Sousa Vieira. Na secção de «Antologia Poética» contamos com a presença afectiva de Amadeu Torres (Castro Gil), 1924-2012, com o soneto “Feira Semanal”; Carlindo Vieira e o poema “Templos”; Euclides Rios, com “Quadras às Festas d’Agonia”; Eugénio Monteverde e a sua alusão ao “O Meu Pregão”; Fernando Castro e Sousa, com “Um rio”; Fernando Melim espelhando a sua inspiração em “Rostos”; a nossa incursão pela estória de um pescador “Era uma vez…”; e, finalmente, Luís Pedro Viana, com “O Frasco de Remédio”. Por fim, na secção de «Colectânea», temos trinta trabalhos inéditos: “Subsídios para o estudo das origens do culto à Sra d’Agonia em Viana (Sécs. XVII e XVIII)” de Manuel António Fernandes Moreira; “A Ribeira em cores: tapetes de sal, a flor do mar” de Álvaro Campelo; “Os artistas nas Festas d’Agonia: Carlindo e Juvenal Ramos evidenciaram-se” de Gonçalo Fagundes Meira; “Senhora d’Agonia, devoção e festa dos pescadores de Viana. Referências histórico-geográficas e vivências de relação com o evento” de José da Cruz Lopes; “Sentindo a alma da Ribeira: vendedora de peixe fresco” de José Rodrigues Lima; “As Festas da Senhora d’Agonia e o seu impacto nas gentes do Vale do Neiva na segunda metade do século XX” de Mota Leite; “Romaria d’Agonia: rainha das romarias de Portugal” de Matias de Barros; “Romaria de N.ª Sr.ª d’Agonia: um estudo-caso” de Francisco Sampaio; “A Sé e as Festas de Nossa Senhora d’Agonia” do Pe. Armando Rodrigues Dias; “Da Agonia se faz festa” do Pe. Paulo Gomes; “Senhora da Agonia – Mãe de Deus e Nossa Mãe” de André Torres Costa; “Com a Senhora da Agonia para um novo mundo” do Mons. Reis Ribeiro; “Ouro popular português” de Manuel Rodrigues Freitas; “Uma oficina de conserto de ourivesaria” de Eliana Amorim; “Confeitarias e pastelarias do nosso imaginário (3) «Paris»” de Francisco José Carneiro Fernandes; “Falar de Viana” de Artur Coutinho; “Iluminação pública em Viana do Castelo: notas históricas” de António Maranhão Peixoto; “Contributos dos bilhetes-postais ilustrados para a história do Turismo em Viana do Castelo” de António J. Cunha Leal; “A vossa empresa também é nossa” de Paulo Julião; “A propósito do centenário da Empresa de Pesca de Viana” de Manuel Oliveira Martins; “Viana & Camilo: presenças e situações” de David Rodrigues; “Abúndio da Silva, um eminente canonista vianense” do Mons. Sebastião Pires Ferreira; “Viana será a via Ana?” de Luís Gomes Costa; “Registros e bentinhos do Real Colégio das Chagas” de Manuel Inácio Rocha; “Para a história da nobreza titulada de Viana do Castelo” de José Aníbal Marinho Gomes; “O Doutor Baltasar Jácome do Lago, desembargador da Casa da Suplicação e Juiz das Ordens Militares do reino de Portugal” de Américo Carneiro; “Os árabes a norte do Douro e a presúria no Entre Minho e Lima” de António Rodrigues França Amaral; “Escritas populares em contextos de mobilidade: Séc. XIX e XX” de Henrique Rodrigues; “Moinhos de vento em Areosa” de António Martins da Costa Viana; e, finalmente, “Figuras afifenses: João Azevedo Ramos Paz «Casa da Quinta», Largo das Vendas, Afife” de Casimiro Puga.
       



             Aqui fica uma sugestão de leitura, para melhor conhecer Viana do Castelo, as suas Gentes e as suas Festas, consideradas por muitos como a “Romaria das Romarias”, qual Senhora da Agonia nos poderá aliviar da agonia e das turbulências desta “república” sem rumo!