Saturday, November 24, 2012

Tiago Manuel ilustra “Antologia Poética” de Mário de Sá-Carneiro


“Quando recebi o convite para ilustrar a poesia de Mário de Sá-Carneiro, aceitei o desafio com a confiança de quem conhece bem o chão que pisa. Não quero com isto dizer que foi fácil a empresa ou que de tais cuidados tirei prazer. As obras que nos ajudam a compreender a vida raramente estendem o vocabulário até ao contentamento”.

Tiago Manuel

Tal como afirmamos em jeito de apelo, aquando do nosso sensitivo “devaneio crítico” a propósito das exposições do nosso bom amigo Pintomeira, para que procurassem fazer uma visita às duas exposições e se deixassem envolver pela mística das pessoas interessadas em obras de arte e não apenas na ideia de arte, na altura salvaguardamos, contudo, o nosso “acto de contrição”, pelo facto de carregarmos o “martírio” de sermos bibliófilos, condicionante circunstancial de apenas nos ficarmos pela ideia de arte, em detrimento do interesse em obras de arte, infelizmente, o mesmo tem acontecido com tudo o que Tiago Manuel tem produzido e o lugar destacado que ocupa no panorama artístico em Portugal. Apreciamos-lhe a sua vastíssima obra, interiorizamos as suas mensagens pictóricas, mas – porque condicionados pelas nossas “magras jornas” – temo-nos ficado apenas pela ideia de arte. E hoje predispusemo-nos a falar dele, pelo simples facto de termos adquirido o seu último trabalho artístico.


Para os mais distraídos, e como tributo à nossa venerável admiração pelo artista, aqui fica uma pequena nota biobliográfica: O Tiago Manuel nasceu em Viana do Castelo, a 1 de Agosto de 1955. Fez a sua formação artística com os mestres Aníbal Alcino e Júlio Resende. A sua obra tem sido apresentada no país e no estrangeiro em instituições e galerias de referência. Foi premiado várias vezes. EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS: 2010 – “Sai do meu Filme”, Exposição de Desenho, Antigos Paços do Concelho, Viana do Castelo; 2008 – Mishima, Manifesto de Lâminas, Centro Cultural de Belém, Lisboa; 2008 - Galeria Spectrum Sotos, Saragoça; 2007 – Galeria Palmira Suso, Lisboa; 2002 –Lugar do Desenho, Fundação Júlio Resende, Gondomar; 2001 – Serpente, Galeria de Arte contemporânea, Porto; 2001 – Bedeteca de Lisboa, Palácio do Contador-Mor, Lisboa; 2000 –  Galeria Assírio & Alvim, Lisboa; 1998 – Galeria Spectrum, Saragoça; 1998 – Galeria Arte Periférica, Lisboa; 1996 – Galeria Arte Periférica, Lisboa; 1995 – Museu Municipal de Viana do Castelo; 1994 – Galeria J.M. Gomes Alves, Guimarães; 1993 – Galeria Quadrum, Lisboa; 1992 – Sede do Instituto Politécnico de Viana do Castelo; 1992 – Galeria Spectrum, Saragoça; 1992 – Galeria Absidial, Nantes; 1991 – Galeria Quadrado Azul, Porto; 1991 – Galeria Municipal, Famalicão; 1990 – Galeria Pedro e o Lobo, Lisboa; 1989 – Galeria Quadrado Azul, Porto; 1989 – Galeria Orfila, Madrid; 1989 – Galeria Matisse, Barcelona; 1986 – Salão da Cultura, Viana do Castelo; 1986 – Círculo de Artes Plásticas, Coimbra; 1983 – Museu Nogueira da Silva, Braga; 1983 – Galeria de Arte Moderna, S.N.B.A., Lisboa; 1982 – Salão da Cultura, Viana do Castelo; 1980 – Salão da Cultura, Viana do Castelo; 1979 – Salão da Cultura, Viana do Castelo; 1979 – Fundação Eng. António de Almeida, Porto; 1978 – Salão da Cultura, Viana do Castelo (exposição promovida pelo Instituto no âmbito da Presidência Aberta). EXPOSIÇÕES COLECTIVAS: 2011 – “Tinta nos Nervos”, Banda Desenhada Portuguesa, Museu Col. Berardo, CCB, Lisboa; 2009 – “Sonhos com Moldura”, Centro de Arte de São João da Madeira; 2008 – ARCO / Casa da Cerca, Almada; 2008 – “2008 Voltas no Carrossel” – Exposição colectiva de ilustradores portugueses e estrangeiros, Auditório Augusto Cabrita, Barreiro; 2007 – PRÉMIO STUART DE DESENHO DE IMPRENSA, Lisboa; 2006 –1ª Edição do “FAROL DOS SONHOS – Encontro Internacional sobre o Livro e o Imaginário Infantil” Cascais, 2006 – PRÉMIO STUART DE DESENHO DE IMPRENSA, Lisboa; 2004 – PRÉMIO STUART DE DESENHO DE IMPRENSA, Lisboa; 2004 – SALÃO LISBOA de Ilustração Portuguesa 2004, Câmara Municipal de Lisboa; 2002 – SALÃO LISBOA de Ilustração Portuguesa 2002, Câmara Municipal de Lisboa; 2001 – SALÃO LISBOA de Ilustração e Banda Desenhada, Câmara Municipal de Lisboa; 2000 – SALÃO LISBOA de Ilustração e Banda Desenhada, Câmara Municipal de Lisboa; 1998 – ARCO, Feria Internacional de Arte Contemporâneo, Madrid; 1997 – “Contra Viento y Marea” Fotografia Ibérica Contemporânea, Ministério da Educação e Cultura de Espanha, Escola de Belas Artes de Saragoça; 1994 – Exposição de grupo, Museu Municipal de Viana do Castelo; 1993 – “Prémio Nacional de Pintura Júlio Resende”, Câmara Municipal de Gondomar; 1993 – Tarazonafoto, Encontros Internacionais de Fotografia, Tarazona; 1991 – “Prémio Nacional de Pintura Júlio Resende”, Câmara Municipal de Gondomar; 1990 – Exposição Nacional de Desenho, “A Invenção do Lápis”, E.S.A., Árvore, Porto; 1989 – II Exposição Nacional do pequeno formato, Árvore, Porto; 1989 – “Le Temps du Regard”, Ministére de la Communication, des Grands Travaux et du Bicentenaire (Villejuif, Créteil, Paris, Rennes); 1987 – III Bienal Nacional de Desenho/ Árvore, Porto, Évora; 1986 – Exposição sobre os Direitos Humanos (Fundação Eng. António de Almeida, Porto; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; e Sede dos Direitos Humanos, ONU, Genebra); 1984 – Exposição Convívio, S.N.B.A., Lisboa; 1984 – 3ª Exposição de Artes Plásticas do Centro Cultural do Alto Minho, Viana do Castelo; 1983 – 2ª Exposição de Artes Plásticas do Centro Cultural do Alto Minho, Viana do Castelo.
Na qualidade de ilustrador publicou nos jornais “Público”, “Expresso”, “JL –Jornal de Letras”, “Letras & Letras”, “O Diário”, nas revistas “Colóquio/Letras” da Fundação Calouste Gulbenkian, “LER-Círculo de Leitores” e nas editoras “Âmbar”, “ASA”, “Afrontamento”, “Media Vaca” (Valência) e “Bertrand”, entre outras. Últimos trabalhos: “O sangue por um fio”, livro de poesia de Sérgio Godinho, Assírio & Alvim, Lisboa, 2009 – Cartaz para o filme “Ruínas” de Manuel Mozos, Festival INDIELISBOA, 2009. Em 2008 criou e passou a dirigir a colecção de banda desenhada “O Filme da minha Vida”, editada pela Associação de Produção e Animação Audiovisual AO NORTE, Viana do Castelo.

Desde 2000, para além do “Sai do meu filme” (Calendário de Letras, Porto, 2010), Tiago Manuel já publicou doze livros, artisticamente inspirados por sete dos seus vinte e cinco heterónimos – Terry Morgan (“Lua Negra” e “O amor é vermelho e arde”), Murai Toyonobu (“NAUTILUS the ship” e “Tango”), Tom Mccay (“Debaixo da Lua vive gente” e “Os sonhos da cobra”), Tim Morris (“O Escapista” e “Mente Perversa”), Marriette Tosel (“O armário psicótico / boas maneiras”), Tamayo Marín (“A tempo inteiro”) e Max Tilmann (“Este céu cheio de terra” e “Já não há maçãs no paraíso”) –, cujas obras produzidas e a produzir abrangem as seguintes áreas: ilustração de autor, banda desenhada, humor negro, histórias infantis, romance gráfico, diários ilustrados com fotografias e pinturas, teatro, literatura policial, moda e cinema. Da sua publicação total resultará uma pequena biblioteca de 50 livros. Muito recentemente acaba por ser editada uma antologia poética de Mário de Sá-Carneiro, que contém ilustrações de Tiago Manuel, numa edição de “Kalandraca Editora Portugal, Lda.”, onde são publicados poemas escritos entre 1913 e 1916 (“O Lord”, “A Queda”, “Estátua Falsa”, “El-Rei”, “O Fantasma”, “O Recreio”, “Pied-de-Nez”, “Apoteose”, “Ápice”, “Último Soneto”, “Salomé”, “O Resgate” e “Fim”). Segundo o nosso ilustríssimo artista – que tanto apreciamos – Tiago Manuel, ao ler os poemas de Mário de Sá-Carneiro, “senti que as palavras do poeta desenhavam a minha vida direita pelas linhas tortas do mundo que conheço, em tudo quase igual ao mundo que ele conheceu cem anos antes. A mesma dor, os mesmos medos, as mesmas nuvens sombrias antes da catástrofe”. Filosoficamente, percebemos perfeitamente a “dicotomia” cognitiva, não estranhando por isso que o Tiago Manuel se assumisse como autor dos poemas e Mário de Sá-Carneiro fosse remetido para a elaboração dos desenhos, como uma “realidade e reflexo no espelho estilhaçado da vida. / Hoje ainda vejo o meu rosto; amanhã, só a luz tocará a superfície onde se apagaram os meus olhos”. E termina no dizer dos outros que Mário de Sá-Carneiro amou uma mulher e morreu, interrogando-se se haverá melhor maneira de gastar a vida. Quiçá, a existência de alguma verosimilitude na vida de cada um, reflexo dos nossos próprios passos. Daí, o “espelho” como forma de “encarnarmos” o sentir dos outros: “A última ilusão foi partir espelhos –/ E nas salas ducais, os frisos de esculturas/ Desfizeram-se em pó… Todas as bordaduras/ Caíram de repente aos reposteiros velhos”.
Um livro excepcional, a merecer nota máxima, e que será apresentado no próximo dia 30 de Novembro de 2012, pelas 21 horas e 30 minutos, na Livraria Papa-Livros, Rua Miguel Bombarda (Porto), sendo que as reproduções das imagens de Tiago Manuel ficarão aí expostas até 4 de Dezembro.

1 comment:

Jessy said...

Um livro que quem sabe se um dia mais tarde não irei ler ;)