Tuesday, June 20, 2017

«Poesia e outras coisas» em Mário Filipe Neves!...



«Mário Neves, leva-nos através de pensamentos em prosa, de palavras poéticas lindamente ordenadas, ao sonho, ao amor... à beleza de estar vivo e sentir a conjugação de todos os elementos que nos espreitam»

Silvestre Fonseca

Há cerca de dois meses que não dávamos sinal de vida activa, no que toca à premeditada, porque necessária, inspiração de “ao correr da pena e da mente” falarmos daquilo que desperta o nosso interesse, sem nos vincularmos aos interesses dos outros, o que desde já nos penitenciamos por essa falta de respeito para com os nossos leitores que nos respeitam e consideram, acendendo, à boa maneira chinesa, uma vela, em vez de amaldiçoarem a escuridão.
Embora sejamos apologistas de que a biografia de alguém (artista, autor, poeta) está ou se reflecte na sua obra, não queríamos deixar de referir apenas umas pequenas notas, sem adularmos o escritor/poeta antes de conhecermos a sua obra. O factor identitário impõe-se pela circunstância de neste caso Mário Filipe Neves se nos apresentar como santo fora da casa, do qual esperamos um “milagre”, sem práticas rituais ou “purificações pelo delírio”. Daí, atrevermo-nos perante a sua presença física, dizermos que Mário Filipe Santos Neves, filho mais velho dos três que sua mãe deu à luz, nasceu em Lisboa, a 29 de Dezembro de 1958; frequentou o curso de Engenharia Civil, até ao 3.º Ano, no Instituto Superior Técnico de Lisboa; no início de 1980 emigrou para Toronto, Canadá, onde viveu uma experiência no mundo do trabalho e da emigração; regressou a Portugal, no final do mesmo ano, saudoso de seus amigos e familiares, tendo iniciado um percurso pelo mundo da música e das canções, como cantautor, durante cerca de quatro anos; começou a trabalhar na empresa CTT – Correios de Portugal, SA, em 1981, onde permanece até hoje, já com 36 anos de serviço. Actualmente, e nos últimos 22 anos, desempenha as funções de Auditor interno na mesma empresa.


Nos tempos livres dedica-se à escrita (poesia, prosa, pensamentos e outras coisas que vão surgindo no tempo e na memória) e à divulgação da mesma. Co-autor, desde 2015, em diversas colectâneas de prosa e poesia, vê agora, com a publicação deste livro «Poesia e outras coisas», a sua primeira obra pessoal editada.
Posto isto, e ainda que voltemos a entrar no contraditório, tendo em conta que entendemos que poesia não deve ser explicada mas sentida, permitimo-nos a ultrapassar essa condicionante deontológica, para justificar a nossa “obrigação e desobediência ética” de estarmos, aqui e hoje, a apresentarmos a «Poesia e outras coisas» em Mário Filipe Neves.
Foi fácil para nós aceitarmos o desafio de apresentarmos o seu livro, naquele dia 18 de Março de 2012, porque nos identificamos com o seu discorrer do pensamento, aprofundado na descrição e “manuseamento” do fenómeno do conhecimento. Ao contrário de alguns poetas, Mário Neves não se deixa enredar pela tentação do jogo das “palavras soltas”, porque se fixa no conhecimento, enquanto relação do sujeito e do objecto, neste caso concreto, o poeta e a palavra dita e escrita.
Sem querermos recalcar os velhos clichés de que “não é poeta quem quer” ou “o poeta nasce e depois faz-se”, permitimo-nos, ainda que a nossa opinião seja sempre subjectiva, em afirmar que estamos perante um verdadeiro poeta. Em Mário Neves, as palavras soltas assentam na promessa de as mesmas o animarem através dos desenhos que os lábios o fazem escutar.
Mário Neves, enquanto SER pensante, reformula-se e encontra-se com a ajuda da ideia da «consciência em geral», pondo em prática as ideias inatas através da consciência concreta e individual. Daí não estranharmos o facto de ele ter receio de não ter medo daquilo que não percebe. A sua missão não é resolver o problema do conhecimento mas sim conduzir-nos à presença do problema.
Mário Neves tem consciência de que só é possível vivermos mantendo uma relação com o outro lado de nós: os outros, e como diria Goethe, a luta consigo próprio, o insaciável desejo de mais pureza, sabedoria, bondade e amor. O tempo e a história, os passos e as emoções, tocam profundamente o poeta. Há uma necessidade de aconchego, de saudade, de depuração.
A nossa empatia imediata pela poética e pensamento de Mário Neves, advém da natureza do EU, na sua essência e plano psicológico, análogo à que existe entre os acidentes e a substância, e à boa maneira kantiana, pela medida em que se nos colocam os problemas derivados da passagem da razão teórica à razão prática. O plano metafísico também tem lugar no EU de Mário Neves, porque é capaz de conter a consciência empírica como forma particular dele mesmo.
Concordamos com as palavras tomadas por Silvestre Fonseca (músico e escritor, circunstancial prefaciador deste brado poético) a Mário Neves – …Quem sabe um dia, emerges, te levantas e te ergues caminhando pelas margens nesta direcção de mim?...para depreender que estas palavras que nos prendem, integram o “Destino submerso” e mostram o perfil do autor, desafiante, sensível, amante das ideias e dos ideais e sobretudo… igual a si mesmo, como sempre foi… um bom amigo de refinado sentido de humor e… um grande Homem! – citamos. Mário Neves prende-nos por aquilo que temos de comum: a esperança de renascer, forma activa de aprender com os outros, imaginar o vácuo e, sobretudo, a cosmovisão, enquanto concepção do mundo que nos é dada de uma vez na sua totalidade, inalterável ao grito do poeta.
Antes de terminarmos, não queríamos deixar de referir que os hipotéticos leitores deste maravilhoso brado poético de Mário Neves encontrarão espaços e tempos de liberdade, vontades de descobrir a verdade, sonhos (sendo que alguns tropeçam no vazio e se afundam), destinos, silêncios e omissões, castelos de areia, aguarelas e janelas que se abrem vendo o tempo passar, promessas e palavras renovadas, beijos e afectos, melodias poéticas onde se sentem braços em contratempo, princesas a quem se dá boa noite
Para terminarmos, gravitando pelo universo, a natureza e concepções cosmológicas de Nicolau de Cusa, encontramos em Mário Neves o princípio da relacionalidade plena do universo (com a qual comungamos), unificando, nessa relacionalidade, a pluralidade de tudo o que existe, quer no que se refere à reciprocidade que se estabelece entre as coisas existentes, quer no que se refere à relação entre o conjunto dos entes finitos e o seu princípio fundante, terminando na noção clara da “douta ignorância”, como saber do não saber.
É isto que nos apraz dizer sobre o livro e o autor!       
         NOTA MÁXIMA!

6 comments:

MrMarioneves said...

Se as palavras são sempre poucas para a verdade pretendida, aquelas que aqui gostaria de deixar seriam sempre muito escassas para homenagear e agradecer a um homem, Porfírio Silva, que teve a bondade de entrar no meu mundo escrito e a gentileza de o querer divulgar e comentar aos ventos e mares que sopram, por aí...
Um grande abraço de amizade e outro de agradecimento, porque "os momentos são feitos de TUDO e de NADA...TUDO o que queremos alcançar e NADA do que ficou para trás"

Bem hajas, Porfírio Silva!

Mário Filipe Neves

Academia_Jardim said...

Parabéns Mário ser reconhecido é maravilhoso quando o fazem de coração aberto.
um abraço
Mário Oli.

Edla said...
This comment has been removed by the author.
Edla said...

Amigo Mario, que bom ser reconhecido assim, e nem podia ser diferente,dado o talento que tens!
Aproveito(já pedindo desculpas ao Porfírio,tambem agradecendo) deixo aqui meus parabéns a ti e digo que sou grata por ser contada entre seus amigos a quem mostras teus sensíveis e belos escritos,meu abraço!

Sonia M.Gonçalves Escritora e Poetisa said...

Parabéns pelo lindo Blog!Lindos escritos.

Unknown said...

Parabéns Mário!